quarta-feira, 15 de maio de 2013

Oriente Médio - Condições Estratégicas


Oriente Médio: Conflitos e Condições Estratégicas

1. Importante Área Estratégica do Mundo
Como conseqüência da grande riqueza petrolífera e de gás natural, o Oriente Médio transformou-se numa das mais importantes áreas estratégico-militares do planeta.
 2. Problemas Regionais
· problema territorial entre Israel e estados árabes vizinhos, gerando guerras e conflitos constantes;
· refugiados palestinos que foram despojados de suas terras e vivem em vários países da região;
· conflitos entre xiitas (radicais) e sunitas (moderados). No Irã, Iraque e Iêmen predominam os xiitas;
· baixos padrões de vida da população; apesar da elevada renda per capita de alguns países (petróleo), a grande maioria da população vive em condições precárias, existindo, portanto, violentas desigualdades sociais, pois as minorias apresentam rendas elevadíssimas;
· problemas ecológicos provocados pelas sucessivas guerras. Durante a Guerra do Golfo, um gigantesco volume de petróleo foi despejado nas águas do golfo Pérsico, contaminando e destruindo a vida no mar. Os incêndios nos poços de petróleo do Kuweit provocaram grande poluição atmosférica em várias regiões da Terra.
 3. "Barril de Pólvora"
Devido ao grande número de conflitos armados e da importância estratégico-militar da área, o Oriente Médio representa um verdadeiro "barril de pólvora", prestes a explodir.
 4. Guerras
· Guerra dos Seis Dias, em 1967;
· Guerra do Yom Kippur, em 1973 (essas duas guerras foram entre Israel e vizinhos árabes);
· Guerra Irã-Iraque, iniciada em 1979;
· Guerra Civil no Líbano, iniciada em 1975 e que continua até os dias atuais; (cristãos X muçulmanos; com influência de Israel, Síria e Fundamentalistas)
· Guerrilha no Afeganistão, combatendo as tropas soviéticas que invadiram o país, em 27 de dezembro de 1979, controlando-o durante oito anos. Somente em 1989 as tropas soviéticas se retiraram da região. A Guerrilha continua até hoje.
· Guerra do Golfo. Ocorreu como conseqüência da invasão do Kuweit por tropas iraquianas, em agosto de 1990.
Entre janeiro e fevereiro de 1991, as tropas americanas, principalmente, e de outros países (Inglaterra, França, Arábia Saudita, etc.) retomaram o Kuweit, expulsando as forças de Sadam Hussen.
 5. Economia
A principal riqueza regional é o petróleo e o gás natural. Arábia Saudita, Kuweit, Irã, Iraque, Omã, Catar, Barein, Síria e Emirados Árabes Unidos são os países que se destacam na produção e exportação regional de petróleo.
Os grandes produtores e exportadores de petróleo da região são a Arábia Saudita, com cerca de 8 milhões de barris/dia, seguida do Irã ( 3, 2 M), Iraque (3 M), Emirados Árabes Unidos (2, 3 M) e Kwait
(1, 5 M).
A Arábia Saudita é hoje o maior exportador mundial de petróleo e o 2º maior produtor.
Os países exportadores de petróleo organizaram a OPEP, em 1960, para cartelizar os preços do precioso combustível.
Dentro da OPEP (ORG. DOS PAÍSES EXPORTADORES DE PETRÓLEO) formou-se um grupo para defender os interesses dos países árabes produtores de petróleo - a OPAEP (ORG. DOS PAÍSES ÁRABES PRODUTORES DE PETRÓLEO).
Os países da OPEP detêm 2/3 das reservas petrolíferas mundiais e usaram os preços petrolíferos como arma política várias vezes.
Em 1973, provocaram o "choque do petróleo", quadruplicando o preço do barril. Em 1974, como protesto pela guerra do Yom Kippur; em 1979 por represália aos acordos de paz entre Egito e Israel em Camp David; e, em 1980, no início da Guerra Irã-Iraque.
No entanto, os anos 80 marcam o declínio da influência da OPEP nos preços internacionais do petróleo. O arroxo nas contas dos países importadores fez com que surgissem prospecções internas e novos países exportadores surgiram, aumentando a oferta e derrubando os preços petrolíferos.
O resultado é que em 1979 os países da OPEP detinham 63% da oferta de petróleo; em 1985 caiu para 38%, e hoje apenas 25% das exportações totais do produto.
A desunião dos membros das OPEP e OPAEP aumenta a oferta e derruba os preços. Essa foi uma das causas da Guerra do Golfo (Iraque-Kwait) de 1990-91, mas nem essa guerra conseguiu elevar o preço do produto, que chegou a US$ 38 em 1981 e hoje não passa dos US$ 16.
· Países da OPEP = Arábia Saudita, Irã, Iraque, Kwait e Venezuela (1960); sendo admitidos posteriormente: Catar (1961), Indonésia e Líbia (1962), Emirados Árabes Unidos (1967), Argélia (1969), Nigéria (1971) Equador e Gabão (1973).
· Países da OPAEP = Arábia Saudita, Kwait, Líbia, Argélia, Iraque e Emirados Árabes Unidos.
 6. Agropecuária
A agropecuária tradicional representa a base da economia de vários países pobres, como Líbano, Jordânia, Iêmen, Afeganistão e Turquia. Destaca-se o cultivo de trigo, frutas cítricas, algodão, sorgo, gergelim e a pecuária extensiva de ovinos, muares e camelos.
Turquia e Líbano destacam-se com uma maior produção, inclusive de frutas, hortaliças e legumes que abastecem a indústria alimentícia de exportação.
Os outros países, exceto Israel, normalmente importam alimentos.
 Israel: A Questão Árabe-Israelense
O centro das tensões no Oriente Médio tem sido a Questão Judaica, a Questão Árabe-Israelense, a Questão Palestina que, na verdade, são desdobramentos de uma velha disputa étnico-religiosa na região da Palestina entre judeus e árabes.
Os judeus têm as terras do rio Jordão como suas por direito bíblico e apesar da diáspora dos judeus a partir do domínio romano, esse povo nunca perdeu seus vínculos com o que chama de "Terra Prometida", Terra Santa", que são as áreas marginais do Jordão na Palestina.
No início do século XIX, depois de inúmeras e injustas perseguições preconceituosas - organizou-se um movimento internacional de "Volta ao Lar" dos judeus, que no final da 1ª Guerra Mundial tinha apoio, não só de elites econômicas e intelectuais, mas também da poderosa diplomacia britânica. O Reino Unido mostrava-se disposto a ajudar a criar um "Estado judeu"na Palestina assim que a 1ª Guerra acabasse e o Império Turco Otomano, que dominava a região, fosse derrotado.
No entanto, terminada a Guerra em 1918, o Reino Unido recebeu um mandato sobre a região da Palestina, que poderia "colonizar" por 20 anos, como uma indenização por perdas de guerra.
Abandonou-se o apoio britânico à criação do Estado judeu na Palestina, apesar de que judeus do mundo todo migraram para a região nos anos 10, 20 e 30 - tanto que os ingleses proibiram inutilmente a imigração (êxodo), que continuou a acontecer mesmo ilegalmente.
Veio a 2ª Guerra Mundial e a crudelíssima perseguição nazista aos judeus (holocausto), que se tornou pública e notória somente após a derrota nazista em 1945 e a opinião pública mundial tornou-se ciente do genocídio mais brutal e ignominioso da história.
Os judeus iniciam sua luta pela independência após a 2ª guerra, combatendo a presença inglesa na Palestina com grupos terroristas.
Dois se destacam: Hagannah e o Estrela, que pressionam a retirada britânica com atentados.
Os ingleses deveriam retirar-se em 1948 e, enquanto essa data não chegava, combateram o terrorismo judeu com a ajuda dos árabes-palestinos (árabes que habitam a região da palestina).
Em 1947 a ONU propôs a partilha da Palestina, criando três áreas distintas:
· Um Estado para os judeus na Galiléia Oriental, deserto do Negev e na faixa entre Haifa e Telaviv.
· Um Estado para os árabes-palestinos na Cisjordânia e Faixa de Gaza.
· Uma cidade internacional, Jerusalém.
No entanto, os judeus proclamaram independência em 1948, com a retirada dos ingleses, não cumprindo a partilha da ONU.
Entre 1948-49 enfrentaram seus vizinhos árabes (Egito, Síria, Transjordânia, Líbano e Iraque) numa Guerra de Independência que garantiu a existência do Estado de Israel, mas impossibilitou a existência do Estado árabe-palestino.
Após a vitória de Israel na Guerra de Independência de 1948/49, houve um acordo de paz em que o Estado de Israel e a Transjordânia (depois Jordânia) partilharam as terras destinadas aos árabes-palestinos.
Em 1958 organizou-se, com ajuda dos países árabes, a "Al Fatah", uma guerrilha dos árabes-palestinos na luta pela independência das terras da Cisjordânia e Gaza, sob o nome de República Árabe-Palestina.
Israel, nesse período, passa a ser orientado pelos ideais sionistas, ou seja, de reconquista das dimensões bíblicas do Estado judeu.
Em 1964 a Al Fatah palestina fundiu-se a grupos políticos e criou-se a OLP - Organização de Libertação da Palestina - apoiada por todo o mundo árabe, contra Israel.
Em duas guerras árabes-israelenses o Estado de Israel obteve a vitória ganhando posição territorial perante os seus vizinhos inimigos.
Em 1967, na Guerra dos Seis Dias, Israel tomou a Cisjordânia e Jerusalém Oriental da Jordânia e as colinas de golã Síria, além da península do Sinai do Egito.
Em 1973 venceu mais uma vez Egito, Jordânia e Síria, mantendo sua posição territorial e assegurando a colonização da região conquistada.
Por interferência dos EUA, Israel acertou em 1979 a paz em separado com o Egito. Devolveu as terras do Sinai em troca do reconhecimento político do Egito, o que desuniu os países árabes.
Essa paz ficou conhecida como Tratado de Camp David e foi assinada por Menahem Beguin (1º min. de Israel) e Anwar Sadat (pres. do Egito), com aval do pres. Jimmy Carter dos EUA.
Apesar da paz entre Israel e seu maior inimigo, o Egito, ser assegurada, ainda restava a Questão Palestina.
A OLP passou os anos 60, 70 e 80 agindo contra o Estado de Israel, a quem se propunha extinguir - para isso tinha apoio dos árabes anti-Israel, como a Síria e Jordânia, Líbia e outros países.
Os árabes-palestinos passaram a ser expulsos da Cisjordânia e migram para a Jordânia e o Líbano, onde funcionavam as bases da OLP.
Em território israelense promoviam greves e revoltas organizadas - as Intifadas - que foram duramente reprimidas.
Entre 1983 e 1985 Israel ocupou o sul do Líbano e criou lá uma zona de segurança e entre 1986-87 combateu duramente as Intifadas. No entanto, a partir de 1991, os EUA pressionam para um processo de negociação entre Israel e a OLP, mas Israel estava sendo governado pela direita sionista - o partido Likud, que resistiu a qualquer diálogo com a OLP até sua derrota eleitoral em 1992.
Em 1993, um novo governo israelense formado pelo Partido Trabalhista resolve dialogar com a OLP.
O primeiro-ministro Itzak Rabin e o chanceler Shimon Perez negociam com o líder da OLP Yasser Arafat, o Acordo Gaza-Jericó.
Dessa negociação saiu a proposta de criação de uma região autônoma dos árabes-palestinos nas áreas da Cisjordânia e da Faixa de Gaza, com capital em Jericó, governada por uma autoridade palestina democraticamente eleita.
A desocupação israelense ocorreu em 1994-95 quase sem conflitos, apesar de atos extremados de alguns fanáticos de ambos os lados. No entanto, o assassinato do primeiro-ministro Rabin por um sionista e ações extremadas de grupos palestinos fundamentalistas como o Jihad e o Hezbolah levaram a uma vitória do Likud - a direita sionista em Israel, que pode interromper esse frágil processo de acomodação.
Israel: Destaques Econômicos
Israel é o mais desenvolvido e industrializado país do Oriente Médio.
Sua agricultura é estruturada em fazendas coletivas denominadas Kibutz, onde se pratica uma moderna agricultura irrigada de frutas cítricas, abacate, legumes, trigo, batata, tâmaras.
A indústria de armamentos é uma das mais desenvolvidas do mundo, destacando-se ainda as indústrias eletrônica, têxtil, mecânica, de lapidação de diamantes, etc.
Israel tem, no exterior, uma significativa fonte de divisas, recebendo doações internacionais (comunidade judaica) e reparações de guerra da Alemanha Ocidental.

4 comentários:

  1. Gostei. Muita informação em poucas palavras. Valeu, me ajudou muito.

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  2. Boa noite,

    gostaria apenas de alertar quanto a uma importante imprecisão: foram os árabes que rejeitaram a proposta da ONU de se criarem 2 Estados de 1947. Não foi de forma alguma "Israel que desrespeitou" ninguém. Os países árabes rejeitaram a proposta e a ONU criou, então, o Estado de Israel em 1948, com o Brasil dando o voto de minerva.

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  3. Muito bom artigo. Falta ra/retificar o comentário do colega acima.

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