domingo, 4 de abril de 2010

Triologia do Capitalismo e do Socialismo

MODO DE PRODUÇÃO CAPITALISTA:

Capitalismo mercantil:
- Sistema
- Colonial
- *Manufatura
- *Urbanização

Capitalismo Industrial:

-*Maquinofaturas
-*Proletariado
-*Imperialismo

Capitalismo monopolista de estado:

-*Oligopólios
-*Intervenção estatal no mercado
-*Empresas multinacionais
-*Internacionalização do sistema financeiro,
-produção, comércio,moeda e comunicações


REVOLUÇÃO PROLETÁRIA

Modo de produção socialista:
SORFEX
*Planejamento econômico centralizado
*Propriedade estatal dos meios de produção
*Ditadura do proletariado *Burocratização


A PRIMEIRA TENTATIVA DE SOCIALISMO: O MODELO SOVIÉTICO

Em 1917, com os abalos sofridos pela monarquia czarista em razão das derrotas do exército russo na Primeira Guerra Mundial (1914-1918), os comunistas (adeptos do socialismo em moldes marxistas), até então agrupados na “facção bolchevique” do Partido Social Democrata Russo liderada por Wladimir Illich Ulianov (“Lênin”), lideraram uma revolução proletária que edificaria o primeiro Estado socialista do
mundo: a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. Os primeiros anos da Rússia revolucionária foram extremamente difíceis. Até 1921, uma guerra civil – entre “vermelhos” (comunistas) e “brancos” (inimigos do socialismo) apoiados por mercenários estrangeiros – varreu o imenso território russo. Ao longo desse período, implantou-se o “socialismo de guerra” pelo qual foram estatizados os campos agricultáveis, as indústrias, os bancos e as empresas prestadoras de serviços. Este primeiro “modelo” econômico foi um total fracasso. Em primeiro lugar pelo fato de que os camponeses, cuja mentalidade era profundamente conservadora, eram avessos à propriedade agrícola coletiva e preferiam queimar seus produtos a entregá-los ao Estado. Além disso, as fazendas nacionalizadas não tinham sementes, fertilizantes e
implementos agrícolas; as fábricas estavam desprovidas de máquinas e as lojas carentes de estoques. Como bem disse Lênin, “querendo socializar a riqueza, socializei a miséria”.
Ainda em 1921, o Partido Comunista, “dando um passo atrás para dois a frente”, formulou a NEP (“Nova Política Econômica”), pela qual seria permitida a propriedade privada da terra, das pequenas manufaturas e dos serviços, permanecendo sob o controle do Estado o sistema financeiro e as grandes indústrias. A NEP é bem explicitada pelo seu slogan: “camponeses, enriquecei-vos”. A nova filosofia econômica foi um êxito. Contudo, em 1929, quando da consolidação do “stalinismo” (a chefia do Partido Comunista e da URSS por Joseph Stalin), a NEP foi substituída por um “modelo” totalitário de socialismo, caracterizado:
- pela propriedade estatal dos meios de produção. O Estado tornou-se o proprietário de toda a produção econômica e da circulação de bens. Fábricas, terras agricultáveis, recursos energéticos, meios de transportes e as fontes de matérias-primas são apropriados e controlados pelo Governo, que gerencia como e o que produzir;
- pelo planejamento econômico centralizado. Praticamente desaparece a economia de mercado, pois o Estado, por meio de “Planos Qüinqüenais”, planejar, de antemão, os investimentos financeiros destinados à produção, os custos, a organização do trabalho e a circulação dos bens;
- pela tentativa de uma racional e justa distribuição dos produtos, dos serviços e das rendas. O Estado busca fornecer e assegurar moradia, pleno emprego, assistência médico-odontológica, educação, lazer e aposentadoria, em condições igualitárias para a toda sociedade;
- por um Estado totalitário. O Estado soviético, em nome do igualitarismo social, passa a ter um monopólio do poder político, eliminando outras agremiações partidárias e entidades livres da sociedade civil, dirigindo também, as atividades culturais. Na URSS, surge uma “estética oficial” (o “Realismo Socialista”) e as pesquisas científicas eram policiadas pelas autoridades governamentais.
Impunha-se, dessa maneira, a “ditadura do proletariado”, primeira etapa do “socialismo”, cujo clímax deveria ser o advento do “comunismo”, quando o Estado desapareceria e nasceria o “homem novo”, cujos valores culturais estariam imunes aos “vícios burgueses” gerados pela propriedade privada.
Uma das críticas que pode ser feita ao “modelo” soviético é que as lideranças da URSS confundiram “estatização” com “socialismo”. De fato, a propriedade estatal dos meios de produção, o controle de circulação de bens e o dirigismo cultural não significam, necessariamente, a criação de uma democracia socialista, a qual deveria ser governada pela sociedade civil e não por um Estado e um partido que se proclamam representantes da classe operária. Na realidade, a URSS conheceu um “capitalismo de Estado” tutelado por um governo totalitário.
O SOREX (“Socialismo realmente existente”) foi vitimado por inúmeras deficiências:
- a burocratização da sociedade, isto é, a criação, em virtude do dirigismo estatal, de um enorme, moroso e ineficiente quadro de funcionários públicos, o que gerou corrupção, disfunções na distribuição de recursos financeiros e bens, além de lentidão na tomada de decisões políticas e administrativas;
- o surgimento de um “Estado policial” violador das liberdades democráticas e dos direitos do cidadão, responsável pela criação de uma sociedade omissa, em razão do terror policialesco, e , por outro lado, pela emergência de ambos seguimentos de oposição;
- desestímulo ao trabalho - pois o desemprego era proibido por lei - e também à inventividade tecnológica não era compensada materialmente. Além disso, o trabalhador soviético percebeu que ganhos salariais eram inúteis, pois não havia gêneros para comprar, inexistindo também um sistema financeiro que retribuísse a poupança;
- o planejamento econômico excessivamente centralizado impedia decisões autônomas dos gerentes e empresas de todas as regiões soviéticas distantes de Moscou. Eventuais problemas que perturbassem as atividades econômicas de cada localidade soviética tinham de ser resolvidos pelas autoridades da capital russa, o que, pelo longo tempo que isto exigia e pela ignorância das realidades das várias regiões, transtornavam ainda mais o processo produtivo;
- incapacidade de criar e adquirir a moderna tecnologia, baseada na informatização dos métodos administrativos e na “robotização” das técnicas de produção, fundamental para a implantação do que atualmente é denominado de “Nova Economia”;
- a impossibilidade de censurar, em razão das atuais e sofisticadas redes de telecomunicações e do desenvolvimento de rápidos meios de transportes as informações oriundas do Ocidente, o que permitiu que as populações dos países socialistas tomassem contato com as idéias e com o alto padrão de vida dos EUA e da Europa Ocidental. Pouco a pouco, a esplendorosa e encantadora “vitrine” mostrada pelo capitalismo, por mais mentirosa e aparente que possa ser, solapou todo e qualquer encanto, ainda eventualmente existente nas “democracias populares”, pelo socialismo;
- por fim, a falta de inovações tecnológicas, o crescente desgosto com o trabalho – demonstrado pelos altos índices diários de absenteísmo de burocratas e operários nas repartições públicas e nas fábricas – e as volumosas aplicações financeiras no setor da defesa militar provocaram a queda dos índices do desenvolvimento econômico, o que diminuiu ainda mais o padrão de vida das sociedades socialistas.
Em 1985 Mikhail Gorbatchev, típico fruto da “geração intelectual reformista” graduada pela Universidade de Moscou após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), assumiu o cargo de Secretário-Geral do Partido Comunista da URSS. Ciente de que as arcaicas estruturas econômicas e políticas de seu país necessitavam de urgentes modificações visando maior eficiência produtiva e liberalização sócio-cultural, “Gorby”, como era popularmente conhecido no Ocidente, deu início à “Perestroika” (reestruturação econômica) no sentido de transformar a economia planificada (socialista) numa economia de mercado, característica do capitalismo. Além disso, foi implantada a “Glasnost” (transparência ou “abertura” política), que consistia em eliminar a censura e ampliar as liberdades democráticas. O novo Secretário-Geral libertou intelectuais “dissidentes” até então detidos, separou os quadros burocráticos comunistas do aparelho de Estado, valorizando a Presidência da URSS, e permitiu a realização de eleições livres e multipartidárias para o Executivo e o Legislativo da República Socialista Soviética da Rússia, o que levou ao poder Boris Ieltsin.
A transição de uma economia dirigida pelo Estado para uma regulada pelas forças de mercado implica um enorme custo social, pois demanda cortes de gastos sociais, fechamento de empresas improdutivas, desemprego e preços reais. Como não podia deixar de ocorrer, esta nova realidade econômica impôs enormes sacrifícios à população soviética que, agora gozando de liberdade de crítica, passou a contestar o regime. Gorbatchev cometeu o erro de, simultaneamente, alterar a economia e conceder liberdade aos cidadãos soviéticos, já que a democratização é um processo bem mais rápido do que as mudanças econômicas. Em certo sentido, a “Glasnost” atropelou a “Perestroika”. A crise soviética teve como conseqüência os movimentos emocratizantes nas “nações satélites”, como eram então chamados os países tutelados pela URSS. Em janeiro de 1989, o Partido Comunista da Hungria foi obrigado a aceitar o multipartidarismo; três meses depois, o sindicato Solidariedade, encabeçado pela Igreja Católica, foi legalizado na Polônia. Em seguida, manifestações populares levaram à renúncia de Eric Honecker, até então líder da República Democrática da Alemanha (Alemanha Oriental, de orientação comunista); em novembro do mesmo ano, era derrubado o Muro de Berlim, símbolo da divisão entre a Europa Ocidental,
capitalista, e a Europa do Leste, até então debaixo do tacão totalitário soviético, propiciando a reunificação da Alemanha, que fora dividida pelas nações aliadas vitoriosas na Segunda Guerra Mundial (1939-1945).
O processo de democratização se alastrou por todo o leste europeu e, sucessivamente, caíram os governos “socialistas” da Hungria, da Albânia, da Romênia, da Tcheco-Eslováquia e da Iugoslávia. Ao mesmo tempo, Moscou perdia o controle dos paises bálticos, a Estônia, Lituânia e Letônia.
Em agosto de 1991, Gorbatchev propõe o Tratado da União, que reformaria os vínculos entre as 15 repúblicas soviéticas no sentido de conceder a elas ampla autonomia. A “linha dura” (os radicais) do Partido Comunista rejeitaram o projeto e tentaram um golpe, que frustrado, levou à extinção da União Soviética, transformada, pelo acordo de Minsky, em Comunidade de Estados Independentes (CEI), à qual deram adesão oito repúblicas ex-soviéticas, com exceção dos paises bálticos. Consumava-se o colapso do SOREX.

O OUTRO SOCIALISMO

Ainda no século XIX, o movimento socialista conheceu correntes políticas antagônicas. Após 1917, emfunção da Revolução Russa, a ala mais radical do socialismo internacional passou a ser denominada de “comunista”, cujo “sistema nervoso central dirigente” foi a “Komintern” (“Terceira Internacional”), sediada em Moscou e orientadora dos partidos às comunistas mundiais, destinados a liderar a “revolução socialista planetária”. Contestando posições comunistas ortodoxas, a “Segunda Internacional”, cuja origem data do final do século XIX, congregava os partidos social-democratas, que negam a revolução operária como meio exclusivo para a criação da sociedade socialista. Para eles, o capitalismo poderia evoluir para o socialismo por meio de reformas econômicas e sociais progressivas. Em lugar da “revolução operária”, uma evolução através de pressões da sociedade civil em pról do igualitarismo e do controle dos governos e parlamentos das nações capitalistas pelos partidos socialistas. Em suma, as agremiações partidárias socialistas pregam um “capitalismo de face humana” pela criação de Estados previdenciários, nos quais a atuação dos governos se faria sentir na diluição das tensões sociais por meio duma ampla assistência social e da redistribuição da renda, custeadas pela alta tributação dos ganhos dos capitalistas. Após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), este foi o “modelo” sócio-político-econômico adotado, com êxito, pela maioria dos países da Europa Ocidental, que assim eliminaram as enormes discrepâncias sociais, criando sociedades de “classes médias” e barrando o avanço dos partidos comunistas. Lamentavelmente, a social democracia implica enormes gastos públicos, pesada tributação – o que desestimula os investimentos e, portanto, onera a produção, encarecendo os produtos no mercado interno e dificultando as exportações – além de gerar cíclicos surtos inflacionários. Atualmente, os países europeus, temendo a competição econômica por parte dos EUA e da Ásia, vêm uscando reformular seus estados previdenciários para reduzir os custos sociais e, assim, ampliar a venda de seus produtos nos mercados internacionais.

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