domingo, 4 de abril de 2010

O Mundo Pós Guerra Fria

No dia 9 de novembro de 1989 mudou o panorama político do século XX. Nessa data foi destruído o símbolo concreto da divisão do mundo em dois sistemas (capitalismo e socialismo), que caracterizou o período da guerra fria.
A década de 1990 começou sem o mundo socialista, e o modo de produção capitalista voltou a ser o único a reger a economia mundial. Antes de analisar o capitalismo dos últimos anos do século XX, é muito importante dar uma atenção especial às mudanças ocorridas durante a guerra fria nos países que adotavam esse sistema.

O capitalismo na guerra fria

Durante a guerra fria, apesar da ameaça de expansão do socialismo, o capitalismo se manteve em sua terceira fase - o capitalismo financeiro - nos países que adotavam esse sistema econômico. Porém muita coisa mudou no lado capitalista. Veja quais foram as principais modificações:
• Os Estados Unidos assumiram a liderança do bloco ocidental, em Bretton Woods, quando o Banco Mundial e o FMI iniciaram sua fase de dominação sobre os países subdesenvolvidos, e o dólar tornou-se a moeda forte da economia capitalista.
• Novos países surgiram com a descolonização da Ásia e da África.
• As transnacionais se espalharam pelo mundo em busca de mão-de-obra e matéria-prima baratas e de mercado consumidor. Alguns países subdesenvolvidos se industrializaram, na dependência dos países ricos.
• Na Europa ocidental, a Comunidade Econômica Européia preparou o caminho para sua integração total, que ocorreu nos anos 1990, com a criação da União Européia .

A década de 1980 assistiu ao início das transformações que culminariam com o fim do mundo socialista e a antiga rivalidade dos tempos da guerra fria, no início dos anos 1990.

Nova ontem mundial — a mundo multipolar

Com o fim da bipolaridade, os Estados Unidos viram-se transformados na potência "vencedora" da guerra fria e assumiram o papel da grande potência mundial. Entretanto, apesar do indiscutível poderio americano, Japão e Alemanha (hoje reunificada e integrando a União Européia) também apareciam como pólos da economia mundial, que se tornou, então, multipolar.
Essa nova situação, que o presidente norte-americano George Bush chamou de nova ordem mundial na Conferência de Malta, em 1989, na verdade não trouxe muita coisa de novo. O que deixava de existir era a velha ordem bipolar e a rivalidade entre sistemas econômicos opostos que buscavam competir usando a capacidade militar.
Com a volta do mundo (com raras exceções) ao capitalismo, que prioriza o lucro e a propriedade privada, a economia mundial passou a funcionar segundo a lógica desse sistema.
A multipolaridade, isto é, o aparecimento de novos pólos econômicos, nada mudou na distribuição da riqueza no mundo. Os países ricos continuam ricos. E os pobres (ex-Terceiro Mundo) continuam pobres. Sem inimigo a ser vencido, a corrida armamentista perdeu força. A busca de novas estratégias para ganhar mercados passou a ter prioridade na ordenação econômica do mundo.
Porém devemos admitir que mudanças fundamentais ocorreram nessa fase do capitalismo financeiro, que passou a ser chamada de.globalização. Na globalização, há um crescente aumento dos fluxos de informações, mercadorias, capital, serviços e de pessoas, em escala global. São as redes, que podem ser materiais (transportes) ou virtuais (Internet). A integração de economias, culturas, línguas, produção e consumo, através das informações, transformaram o mundo em uma aldeia global.

A economia-mundo

A economia-mundo começou a dar seus primeiros passos quando as empresas transnacionais cruzaram as fronteiras dos Estados Nacionais, deslocando seu capital para atender a seus interesses econômicos, sempre que um lugar apresentasse maiores vantagens. Essas empresas têm filiais espalhadas pelo mundo todo, fazem aplicações, movimentam recursos, decidem sobre a produção e o comércio de seus produtos, independentemente dos governos nacionais dos países onde se instalam.
A facilidade e a rapidez de fluxos comerciais de capitais, entre os países, tornou-os extremamente dependentes uns dos outros, apesar da concorrência. Com a globalização e a economia-mundo, não se discutem apenas problemas econômicos na aldeia global.
Podemos falar, também, na mundialização de questões que devem ser resolvidas por grupos de países. Dentre elas destacam-se as questões ambientais, o aumento da pobreza, as crises econômicas, os direitos humanos, o tráfico de drogas e as ações terroristas.

Conflito Norte-Sul

O fim do mundo socialista não só derrubou a ordem bipolar, como fez com que a antiga divisão dos países em Primeiro, Segundo e Terceiro Mundo não tivesse mais razão de ser. Como o Segundo Mundo, que era formado pelas nações socialistas, não existe mais, os países são classificados em ricos e pobres, ou desenvolvidos e subdesenvolvidos. E o mundo ficou dividido em países do Norte (desenvolvidos) e países do Sul (subdesenvolvidos).
O grande contingente de colônias asiáticas, africanas e americanas (com exceção dos Estados Unidos e do Canadá), forma o bloco dos países do Sul. Apesar de terem características comuns, esses países apresentam profundas diferenças entre si.
Alguns países se destacam na oferta de oportunidades para os investimentos das empresas transnacionais. São países subdesenvolvidos industrializados ou em fase de industrialização. Apesar das vantagens oferecidas, como mercado consumidor e incentivos fiscais, esses países representam grandes riscos, em virtude da constante instabilidade econômica ou política. São os chamados países emergentes, e o Brasil está entre eles.
Os antigos países socialistas são chamados hoje de países de economia "em transição" porque passam por uma fase de adaptação à economia de mercado. Apenas Cuba, Coréia do Norte e Vietnã ainda resistem como socialistas.
A África Sub-saariana está à margem da economia global. Seus países sofrem com conflitos tribais, fome, seca e a aids. Além disso, encontram-se na total dependência do FMI e do Banco Mundial. Diante desse estado de miséria, a África não desperta interesse, nem como consumidora nem como opção de investimento de capital especulativo.

PAÍSES EMERGENTES

Na nova ordem mundial, o conflito Leste-Oeste da guerra fria foi substituído pelo conflito Norte-Sul, que opõe entre si as grandes diferenças que separam a riqueza, a tecnologia e o alto nível de vida, da pobreza, da exclusão dos novos meios técnico-científicos e dos baixos níveis de vida.

A globalização

O fator fundamental para que a economia globalizada pudesse existir é a grande novidade da nova ordem mundial - a revolução dos meios de transporte e das comunicações. Hoje, fatos de qualquer natureza são transmitidos no tempo real para o mundo inteiro. Podemos assistir e acompanhar acontecimentos de qualquer parte da Terra no exato momento em que estão ocorrendo, seja uma corrida de Fórmula l, um jogo da Copa do Mundo e inclusive cenas de guerra no Oriente Médio ou na Yugoslávia. É possível comprar produtos fabricados em vários países em luxuosos shopping centers, na lojinha do bairro ou mesmo na barraquinha do ambulante da esquina.

A revolução técnico-científica

O setor mais importante dessa "revolução" é a indústria da informática, com o surgimento dos programas de computadores (softwares) e o avanço na técnica de armazenamento e processamento de informações através de redes digitais e cabos de fibras ópticas. A informática invadiu bancos, bolsas de valores, repartições públicas, hospitais, escolas, fábricas, lojas, supermercados e até mesmo a sua casa.
Nas telecomunicações, destacam-se os satélites artificiais e os telefones celulares de alcance mundial. Existe uma integração entre a informática e as telecomunicações: a telemática (Internet).
Outros campos também apresentam novidades, como o da biotecnologia, que é aplicada à medicina, à agricultura e à produção de alimentos. As palavras genoma (código genético) e transgênicos (geneticamente modificados) já foram incorporadas ao vocabulário da mídia e das pessoas em geral.

As empresas globais

Após a Segunda Guerra, as grandes empresas dos países desenvolvidos "invadiram" os países subdesenvolvidos, para fabricar seus produtos e aumentar ainda mais seus mercados de consumo.
Desse modo, não só fugiam dos pesados impostos e das severas leis trabalhistas de seus países de origem, mas também aproveitavam as vantagens da mão-de-obra mais barata nas novas unidades. Como seus produtos eram feitos em vários países, ficaram conhecidas como multinacionais. Hoje prefere-se denominá-las empresas transnacionais, uma vez que não são empresas de vários países, como a antiga terminologia poderia sugerir, mas empresas de um só país cuja ação ultrapassa fronteiras.
Nos anos 1980, as grandes empresas transnacionais perceberam que o modo de produção multinacional já não correspondia ao seu objetivo básico, isto é, mais lucro e aumento dos investimentos. Portanto, procuraram uma forma de aumentar esses lucros com a maior redução de custos (matéria-prima e mão-de-obra).
A empresa transnacional passou, então, a ser global, isto é, a aproveitar todas as vantagens que o espaço mundial oferece. Ela pode, por exemplo, fazer o seu projeto nos Estados Unidos, fabricar os componentes em Taiwan e montar o produto na Argentina. Uma transnacional se instala sempre em lugares onde encontra vantagens para que seu produto chegue ao mercado a preços mais baixos e com lucro maior para a empresa. Na fábrica global, os processos de produção são mundializados, isto é, possuem unidades de produção complementares em vários países.

Globalização regionalizada

Na economia-mundo, há uma grande ampliação das trocas comerciais internacionais. £ por causa dessa forte interação, alguns países procuram agrupar-se para enfrentar melhor a concorrência no mercado mundial.
A formação de blocos econômicos é uma regionalização dentro do espaço mundial, mas também uma forma de aumentar as relações em escala global, pois, ao participar de um bloco, um país tem acesso a vários mercados consumidores, dentro e fora do seu bloco.
Os principais blocos regionais são: União Européia, Mercosul, Nafta e Apec,.

Desemprego global

O "fantasma" do desemprego sempre rondou os países em épocas de crise econômica. É o chamado desemprego conjuntural, em consequência do mau desempenho da economia local.
A globalização trouxe outros tipos de desemprego, causados pelas modernas formas de administração para diminuir custos (desemprego estrutural) e a substituição do homem pela máquina (desemprego tecnológico).

A globalização de idéias

Esse processo de integração mundial, chamado globalização, não é só económico. Ele tem ao mesmo tempo uma dimensão política, social e cultural.
Para se estabelecer mundialmente, a grande empresa precisa da globalização cultural. O lazer, as formas de se vestir, as revistas, os jornais, as formas de consumo precisam ser parecidas em qualquer lugar do mundo.
O rádio e a televisão têm um papel importante na formação dessa cultura, pois, ao mesmo tempo que divulgam músicas, filmes e informações, sugerem um padrão de vida e de consumo que deve ser seguido para alcançar a felicidade.
Daí a importância de preservar e valorizar as culturas e identidades próprias de cada país, ameaçadas de desaparecer, como as fronteiras do capital e do comércio mundial.

A globalização do crime

As atividades do crime organizado também se beneficiam das facilidades tecnológicas das comunicações do mundo globalizado.
O tráfico de drogas de mulheres e crianças, as "máfias" de várias nacionalidades {chinesa, japonesa, coreana), além da original italiana, encontram mais facilidades para expandir suas ações criminosas. O terrorismo espalha mais rapidamente suas células de ação pelo mundo graças a essas facilidades.

O lado triste da globalização

A parte cruel da atual fase do capitalismo financeiro é a globalização da pobreza. Há uma diferença cada vez maior entre ricos e pobres, sejam pessoas, regiões ou países. Verifica-se um gradual empobrecimento da população, mesmo nos países desenvolvidos.
Podemos dizer que a mesma tecnologia que trouxe conforto e melhoria de vida para as pessoas, reduziu os postos de trabalho. A demanda de mão-de-obra qualificada aumentou e a oferta para trabalhadores sem o preparo necessário diminuiu.
Até nas competições esportivas, os países vencedores refletem as desigualdades econômicas. Você pode verificar que os países que tiveram os melhores desempenhos são ricos e estão concentrados, em sua maioria, na Europa. Os países com os piores desempenhos são nações pobres, em sua maioria, localizadas na África , América, Ásia, Europa do Leste e Oceania.

Protestos contra a globalização

A política neoliberal, as transnacionais e as desigualdades econômicas criadas pela globalização têm sido alvo de protestos em vários países do mundo. Em 2001, o Brasil sediou o Fórum de Porto Alegre, realizado como oposição ao Fórum de Davos, promovido pelo G-7 na Suíça, e à forma de globalização excludente defendida pêlos países que formam esse grupo.
As formas de protesto da oposição envolvem depredações, violência, ataques à propriedade privada, o que certamente não leva a nenhuma conquista efetiva dos opositores. Apesar disso, está claro que uma globalização mais igualitária, com a erradicação da miséria e respeito ao meio ambiente, é o que todos pretendemos ter um dia. Falta encontrar a fórmula certa para isso.

18 comentários:

  1. Professor, deve estar muito chateado por nao ter nenhum comentario. Mas queria dizer que você esta de parabéns, todo esse conteudo esta me ajudando muito, achei que ficou tudo muito bem explicado, só achuei que você pecou em 1 ponto, teria que detalhar agumas coisas,tipo os paises que compoem o mercusul, essas coisas assim.Mas do resto está realmente de parabens, espero que continue com seu trabalho

    ResponderExcluir
  2. Prof. Miguel Jeronymo Filho vc me ajudor muito na parte ,o lado trite da globalização,muito obrigado que deus iluminer +++ o seu caminho

    ResponderExcluir
  3. KKKKK tadinho . Me ajudou muito apesar de eu entender muito bem sobre o assunto

    ResponderExcluir
  4. Muito bom o texto, bem esclarecedor!!! Obrigada, me ajudou muito!

    ResponderExcluir
  5. Parabéns professor, sua maneira de expor o assunto foi muito clara

    ResponderExcluir
  6. gostei muito parabéns ficou belíssimo!

    ResponderExcluir
  7. Olha , estou aqui procurando assuntos para debater com meu professor de geografia; Posso ter certeza que esse seu post me ajudará em grande escala a melhorar meu conhecimento , e assim poder questionar dúvidas que por via surgirem , com meu professor. Mas essa breve sintese de cada assunto já me esclareceu grande brechas que existia para mim nesse assunto ...
    Em outras palavras agradeço o professor pois ele está de parabéns , aconselho que continue fazendo novos post sobre outros assuntos , também.

    Luiz Henrique ; Aluno ensino médio .

    ResponderExcluir
  8. Obigado professor seu trabalho foi de grande
    ajuda no meu trabalho e parabens




    miguel amorim sp

    ResponderExcluir
  9. Tem Meus Parabéns Também! mais é como o Arthur disse. O senhor podia colocar os países que compõe o Mercosul (Y)

    ResponderExcluir
  10. Humm deveria citar a fonte né professor... Texto extraído do Segundo Vol. do Livro - Fronteira da Globalização - Lucia Marina e Tercio. Editora Atica...
    A intenção é otima, assim poderemos ajudar nossos alunos, porem citar a fonte e muito importante...

    ResponderExcluir
  11. Faltam campanhas de divulgação dessas informações não alienadas e inclusive das fontes (livros, documentários, filmes).
    Eu acredito que reformas ou uma revolução serão possíveis se começarem a ser pré-idealizadas e defendidas por professores: estes são os primeiros vetores, e, comumente são as únicas pessoas de mente/espírito livres que muitos jovens alienados de famílias também alienadas convivem. Os professores e estudantes devem unir forças, ideias e então tentar expandir os horizontes do novo.
    Os jovens serão os futuros organizadores da sociedade daqui a um tempo, e os nossos adultos de então, na sua grande parte, são dominados pelo senso comum (mídia e as religiões predominantes que só se importam com um futuro do qual nem podem provar, niilistas) e esgotados pelo trabalho (trabalho, o dignificador, o meio para sobreviver e não viver, porquê não sobre tempo para isso).
    Muitos já foram absorvidos por essa sociedade problemática e até pensam que teem liberdade de escolha. Qual? A liberdade que você tem de escolher um produto que não te agrada, mas que está na moda, por isso as opções são restritas e você o compra assim mesmo ou fica sem nada (em todo caso você não terá o que quer). Mas, parra evitar decepções e insatisfação e infelicidade... vamos acreditar que gostamos do que nos oferecem.
    Seria bem complicado se esperarmos pela maioria cega e viciada em futebol, religião, os aspectos inférteis da internet e da TV, moda...
    Penso que também precisamos de mentes brilhantes, assim como tivemos tantas nos séculos passados (quanto mais recente, mais sutil na denúncia e menos fascinante e profunda costuma tornar a situação da produção intelectual). Se obsevarmos, a modernidade, a inovação, as transformações começam nos pensadores (livros, artes) e quem mais tem sensibilidade no olhar, uma reflexão minuciosa e ligeira que ultrapassa limitações do presente.
    Um dos começos também é exercermos nossa cidadania de modo pleno e ATIVO. Depois vêm as grandes realizações.

    Larissa Ferreira de Melo, 16.

    ResponderExcluir
  12. obrigada!!!! gostei desse site belissimo bem explicado consegui entender tudo. otimo parabens!!!

    ResponderExcluir
  13. Muito bom seu texto, e obrigado pela sua colaboração, ótimo o desenvolvimento do texto!

    ResponderExcluir
  14. Bastante esclarecedor, gostei muito pois tem um linguagem fácil, que contribui bastante para á abstração e espero que você professor continue com esse belo trabalho que ajuda a vida de várias pessoas.
    Parabéns!!

    ResponderExcluir
  15. Muito bom! Parabéns! Me auxiliou bastante!

    ResponderExcluir
  16. Texto Magnífico e mais que útil! Muito Obrigada!

    ResponderExcluir