domingo, 4 de abril de 2010

O Mundo Dividido Em Impérios

Na Primeira Guerra Mundial ( 1914 – 1918 ), o sistema de poder criado no Congresso de Viena entraria em colapso. Os principais fatores que levaram a "Grande Guerra" foram:
1. o Pangermanismo, isto é, as aspirações territoriais alemãs ampliadas pela ascensão ao poder, em 1882, do Imperador Guilherme II, cujo projeto era a WELTMACHTPOLITIK ( Política de Poder Mundial ). Este objetivo germânico levou a uma "corrida armamentista" conhecida como a "Paz Armada". Berlim buscou, com êxito, formar um exército superior ao francês e uma marinha pelo menos igual à britânica. Uma verdadeira "corrida às tonelagens" passa a existir entre Inglaterra e Alemanha: navios cada vez mais pesados e artilhados. Agora, Berlim não só atemorizava a França, mas também a Grã – Bretanha, única nação detentora de uma "blue sea navy" ( "marinha de longo alcance" ). Toda essas ambições germânicas eram "legitimadas pelo mito da superioridade da cultura alemã, a única efetiva "guardiã dos valores do Ocidente"; a "Enferma do Levante" . As principais nações da Europa tinham o interesse de desmembrar o decadente Império Turco – Otomano, cujos recursos petrolíferos e seu domínio sobre áreas estratégicas do Oriente Médio atraíam a cobiça das grandes potências. O grau de enfraquecimento e corrupção do sultanato turco é explicitado pelo apelido a ele dado: o "Homem Doente da Europa";
o Pan-eslavismo e a "Monarquia Dual". A Rússia desde o século XVII, sonhava dominar a Europa do Leste em nome da "proteção" aos povos eslavos ali presentes. O grande obstáculo às pretensões de Moscou era a existência, na Europa Central, do Império Austro – Húngaro ( denominado de "Monarquia Dual" ), que exercia na região o papel de um "Estado Tampão", barrando as investidas russas. No entanto, Viena tinha um "calcanhar de Aquiles" – seu mosaico étnico. De fato, no Império habitavam germânicos, magiares, tchecos, croatas, eslovenos, poloneses, rutenos, além de outras inúmeras nacionalidades. Com exceção dos germânicos e húngaros, todas as outras minorias governadas por Viena eram eslavas e, portanto, muito suscetíveis
à propaganda pan-eslavista. A Rússia fomentava um nacionalismo eslavófilo buscando "implodir" o Império Austro – Húngaro e assim tornar possível a presença dos súditos de Moscou na Europa Oriental; o "revanchismo" francês. Paris desejava se vingar do desastre que fora a batalha de Sedan, durante a "Guerra Franco – Prussiana", e recuperar as províncias carboníferas da Alsácia e Lorena.
Em todo o território francês, corria o "slogan" – "não se esqueçam dos alemães";
A "Política das Alianças". Rompida a "Aliança dos Três Imperadores" ( Alemanha, Áustria e Rússia ), um acordo politicamente insustentável, pois Viena e Moscou eram potencialmente conflitantes, a França buscou fazer do governo de Moscou seu aliado, no que teve êxito. Assim, a Alemanha se viu cercada por um inimigo a oeste, a França, e outro a leste, a Rússia. Ao mesmo tempo, a Inglaterra e a França, após pequenas escaramuças, firmavam, em 1903, a "Entente Cordiale" ( o "Acordo Amigável" ) pela qual partilhariam amigavelmente a África do Norte.
Surgiria, então, a "Tríplice Entente", agrupando Inglaterra, França e Rússia. Em represália, a Alemanha criou a "Tríplice Aliança", englobando os governos de Berlim, Viena e Roma. Na primeira década do século XX, o equilíbrio multipolar era substituído por uma perigosa bipolarização. O Velho Continente estava em "pé de guerra";

A POLÍTICA DAS ALIANÇAS

A competição industrial.
A "Grande Guerra" teve também como causa a competição econômica entre a Alemanha, França e Inglaterra. Entre 1871 e 1900, o Reich germânico conheceu uma industrialização
muito rápida. Isto pode ser comprovado se observamos o crescimento da siderurgia alemã – em 1870, a produção de aço da Alemanha era inferíor à da França; 30 anos depois, era superior à produção somada da Inglaterra e França. Além disso, ciente de que, pela falta de recursos naturais em abundância, não tinha condições de competir quantitativamente, Berlim optou pela "qualidade" de seus produtos. Seus manufaturados eram muito mais caros do que os franceses e ingleses, mas primavam pela excelente feitura. Nascia, então, o que até hoje subsiste: o mito da alta qualidade das máquinas alemãs. A agressividade industrial e comercial da Alemanha assustava os empresários franceses e britânicos. Em todo o planeta, proliferavam artigos germânicos

POVOS BALCÂNICOS

Todas estas crises européias, aparentemente desligadas umas das outras, se fundiriam quando uma "reação em cadeia", gerada pela "questão balcânica", as transformaria em causas da conflagração iniciada em agosto de 1914. Nos Bálcãs, uma "potencia regional" – a Sérvia ( capital: Belgrado ) – desejava criar a "Grande Sérvia", reunindo sob o governo de Belgrado todos os sérvios da região. O grande obstáculo a esse sonho era o fato de que a Áustria anexara a Bósnia – Herzegovina, onde quase metade da população era de religião mulçumana, que convivia com uma enorme minoria sérvia e com uma presença de croatas relativamente pequena. Este diversificado cenário étnico era complicado por divergências religiosas, pois os sérvios são cristãos ortodoxos, ou seja ligados à Igreja Greco-Cismática, e os croatas são católicos.
Agravando a situação, por si só já um "barril de pólvora", a Rússia, a maior potência eslava e ortodoxa do mundo, como não poderia deixar de ser, apoiava as aspirações sérvias. Além da identidade étnico – religioso, a Rússia, com a formação da "Grande Sérvia", passaria a ter bases navais no mar Mediterrâneo, concretizando, assim, o sonho da presença nos "mares quentes".
No Império Austro - Húngaro, certos segmentos da burguesia e da aristocracia propunham a transformação da "monarquia dual" ( Viena e Budapeste ) numa "monarquia trial" ( que abrangeria Áustria, a Hungria e os povos eslavos balcânicos ). Obviamente, esta proposta era inaceitável para a Sérvia, pois dificultaria o projeto da "Grande Sérvia". Em junho de 1914, o herdeiro da Coroa austríaca, o Arquiduque Francisco Ferdinando - defensor do "trialismo" - visitou Sarajevo ( capital da Bósnia ). A motivação desta viagem era simples: passar em revista as tropas austríacas que ocupavam a Bósnia - Herzegovina. Jovens militantes do movimento "Jovem Bósnia", sociedade secreta de sérvios bosníacos
favoráveis à "Grande Sérvia" e financeiramente sustentados pela organização terrorista sérvia denominada a "Mão Negra", levantaram a hipótese de que Francisco Ferdinando viria a Sarajevo no intuito de proclamar a "monarquia trial". Resolveram assassiná-lo. No dia 28 de junho, o estudante Gavrilo Prinzip, líder da "Jovem Bósnia", matou Francisco Ferdinando e sua esposa, a Baronesa Sofia. A Áustria acusou a Sérvia de ser a mandante do crime; Belgrado negou qualquer responsabilidade em relação ao assassinato
do herdeiro do trono austríaco. Viena mobiliza tropas, a Sérvia chama seus reservistas e se prepara para a guerra. A Alemanha, aliada da Áustria, também mobiliza seus soldados e, simultaneamente, a Rússia, que firmara um acordo secreto com a Sérvia, entra em estado de alerta. A morte do Arquiduque Francisco
Ferdinando, numa pequena e remota localidade do sul da Península Balcânica, coloca a Europa à beira do abismo da guerra. Acreditando que, nessa circunstância, a nação que desse início ao conflito teria mais chances de vitória, o Imperador alemão, Guilherme II, ordenou a implementação do "Plano Schlieffen".
Este fora concebido em 1909, pelo general Schlieffen, para fazer face à eventualidade de uma "guerra em duas frentes". Neste caso, no entender do general, a Alemanha deveria lançar todas as suas forças contra a França, enquanto tropas austríacas barrariam as investidas russas. Ocupado o território gaulês, o exército germânico golpearia mortalmente as tropas russas. Para a infelicidade do governo de Berlim, nos meses iniciais da Primeira Guerra Mundial ( 1914 - 1918 ), os alemães não venceram a França e os austríacos não
detiveram os russos. Assim, as forças militares germânicas se dividiram para enfrentar, simultaneamente, os ingleses e franceses na Europa Ocidental e as tropas de Moscou no leste do Velho Continente. A derrota alemã era inevitável.

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