domingo, 4 de abril de 2010

Guerra Fria

Para as gerações que nasceram nas décadas de 1980 e 1990 fica difícil ima¬ginar um mundo dividido entre dois sistemas econômicos, opostos e inimigos. Mas agora que você já estudou as carac¬terísticas do capitalismo e do socialismo, pode perceber que a convivência desses dois modos de produção era praticamente impossível. Por isso, tive¬mos um período de quase cinquenta anos, longo o suficiente para que o mun¬do vivesse um dos mais tensos e compli¬cados conflitos que já aconteceram na história da humanidade. Uma guerra em que jamais houve um confronto direto entre os dois principais inimigos.

O mundo pós-guerra

A Grande Guerra de 1939-1945 mudou o des¬tino e a geopolítica do mundo onde vivemos, estabe¬lecendo uma nova ordem mundial: os impérios colo¬niais desmoronaram e em seu lugar surgiram duas novas superpotências - Estados Unidos e União So¬viética. Com isso o mundo foi reordenado tanto do ponto de vista econômico como político.
Após a guerra, um novo capitalísmo
Com as principais potências arrasadas pela Segunda Guerra, foi preciso reorganizar a economia mundial. Com esse objetivo, os aliados, vencedores do conflito, reuniram-se na cidade de Bretton Woods, situada na costa leste dos Estados Unidos. Várias decisões foram tomadas nessa conferência, entre elas a criação de organismos financeiros com a finalidade de conceder empréstimos a países em dificuldade e manter a estabilidade da economia mundial. Desse modo, foram fundados o FMI (Fun¬do Monetário Internacional) e o Bird (Banco Internacional de Reconstrução e Desenvolvimento ou Banco Mundial}, ambos com sede em Washington. A adoção do padrão dólar-ouro, garantido pelo governo norte-americano, tornou a moeda dos Estados Unidos a mais importante da economia mundial. O mundo capitalista tinha uma nova po¬tência, os Estados Unidos da América do Norte, ao mesmo tempo que ganhava um rival de peso: a po¬tência socialista, União das Repúblicas Socialistas Soviéticas.

Com a ONU, o mundo se une

Além da reestruturação econômica, era preciso fazer também uma reordenação política do mundo.
Assim, na Conferência de São Francisco, realizada em 26 de junho de 1945, foi criada a ONU (Organi¬zação das Nações Unidas), com o objetivo de preser¬var a paz e a segurança no mundo e promover a coope¬ração internacional para a resolução de problemas econômicos, sociais, culturais e humanitários.
Cinquenta países aprovaram a Carta de Prin¬cípios, constituída de 111 artigos que orientariam a entidade no novo mundo que surgia. O número de membros da ONU cresceu muito desde a sua fun¬dação. Ao completar cinquenta anos, a ONU contava com 185 membros. Em 1999, recebeu mais três paí¬ses: Tonga, Kiribatí e Nauru; e, em 2000, a ilha de Tuvalu. Hoje são 189 os países participantes.
O órgão mais importante dessa associação é o Conselho de Segurança. Formado por representantes de cinco países (Estados Unidos, Inglaterra, França, China e Rússia), mem¬bros permanentes com o poder exclusivo de veto às decisões da organização, e de dez países eleitos a ca¬da dois anos. Qualquer decisão do Conselho de Segurança só é válida se houver consenso entre os cinco membros perma¬nentes.
A função do Conse¬lho de Segurança é man¬ter a paz e a segurança no mundo. Por isso, tem o poder de •investigar qualquer ameaça de conflito, de sugerir soluções para acordos de paz e adotar sanções, como o corte de relações diplomáticas e embargos econômicos.
A Assembléia Geral é o órgão central que dis¬cute os problemas de in¬teresse da ONU. E com¬posta de delegações de todos os países membros. Entretanto, esse órgão não decide sobre questões de segurança e cooperação internacional. A Secretaria Geral, a Corte Internacional de Justiça e o Conselho Econômico e Social são os outros órgãos integrantes da ONU. A organização possui ainda agências espe¬cializadas que se ocupam de problemas específicos, como saúde, educação, trabalho e outros.

Um mundo bipolar

Pela primeira vez, o mundo ficou dividido en¬tre dois sistemas opostos. Os dois lados lutavam para impor seu modo de produção: era o capitalismo norte-americano (Oeste) versus o socialismo soviéti¬co (Leste).
No mundo bipolar, o padrão de "poder" não era a supremacia econômica, mas a supremacia bélica, na fabricação de armas. Daí falarmos em corrida armamentista e corrida espacial.
As potências disputavam passo a passo quem conseguiria produzir a bomba mais potente ou ir mais longe na exploração do espaço. Para não ficar para trás, era preciso saber todos os segredos e todos os passos do inimigo. Nessa missão ficaram famosas a CIA e a KGB.

A corrida armamentista

Foi o componente central do período da guerra fria, que envolveu diretamente os Estados Unidos e a União Soviética na corrida atômica e na conquista espacial. O que estava implícito era que a nação que primeiro desenvolvesse a tecnologia nuclear e conquistasse o espaço seria considerada a mais avançada cientificamente.
Os Estados Unidos iniciaram a corrida nuclear de forma dramática, ao jogar bombas atômicas sobre as cidades japonesas de Hiroshima (6 de agosto de 1945) e Nagasaki (9 de agosto de 1945), para forçar a rendição do Japão no final da Segunda Guerra. Só em 1949, a União Soviética anunciou que tinha conseguido fabricar a sua primeira bomba atômica.

A corrida espacial

Os soviéticos saíram na frente com o lançamento do Sputnik I, o primeiro satélite artificial a ser colocado em órbita, em 4 de outubro de 1957. Em 3 de novembro do mesmo ano, lançaram o Sputnik 2, com a cachorra Laika, o primeiro ser vivo a ser lançado no espaço. Em 12 de abril de 1961, foi a vez de o astronauta Yuri Gagárin comandar a nave Vostok.
Michael Collins, um dos astronautas da Apollo 11, observa a bandeira americana no primeiro pouso do homem na Lua, em 1969.
Entretanto, a vitória final foi dos Estados Unidos. O dia 20 de julho de 1969 marcou a chegada do homem à Lua. Os norte-americanos Neil Armstrong, Edwin Aldrin Jr. e Michael Collins, a bordo da Apoio 11, foram os primeiros a conquistar tal feito e a colocar os Estados Unidos na dianteira da corrida espacial.
Em 1971, os soviéticos lançaram o Projeto Salyut, que previa a construção de uma estação espacial. Em 1 973, os Estados Unidos lançaram o Sky lab, estação experimental que acabou se desintegrando em contato com a atmosfera, quando a Nasa perdeu o controle de sua órbita. Nada, porém, foi mais brilhante do que a Iniciativa de Defesa Estratégica do presidente americano Ronald Reagan (1980-1988), que ficou conhecida como "Guerra nas Estrelas". Sua idéia era construir um grande escudo espacial para a defesa contra mísseis vindos de qualquer lugar da Terra e, até mesmo, do espaço.
A última realização dos soviéticos foi colocar em órbita, em 1985, a estação espacial MIR, que retornou à Terra em março de 2001. Os Estados Unidos continuaram seu programa espacial, mesmo sem a competição da potência socialista. Após a explosão do ônibus espacial Challenger (1986), os americanos colocaram o telescópio Hubble em órbita, em 1990. Em 1997,a sonda Mars Path fÍnder pousou na superfície de Marte.

Por multo pouco, uma guerra nuclear

Durante esse período de grande tensão, podemos dizer que, pelo menos em duas ocasiões, o mundo esteve à beira de um conflito nuclear: em 1961, com a construção do Muro de Berlim; e em 1962, quando os soviéticos decidiram instalar mísseis no extremo sul de Cuba, a 150 km da Flórida.

O Terceiro Mundo — principal alvo das disputas

Com o fim dos impérios coloniais, novos países surgiram no panorama mundial e foram alvo da disputa entre as duas potências. O novo conjunto foi chamado de Terceiro Mundo, uma vez que os países capitalistas desenvolvidos compunham o Primeiro Mundo e os socialistas faziam parte do Segundo Mundo.
Todos os continentes foram atingidos pela disputa de poder entre capitalistas e socialistas. Moscou apoiava os movimentos de independência nas colônias da África. Para impedir a expansão soviética no continente, os Estados Unidos obrigaram seus aliados a conceder a independência a essas colônias. Entretanto, os novos países continuaram dependentes economicamente das metrópoles.
A demora de Portugal em conceder a independência a Angola, Moçambique, Cabo Verde e Guiné-Bissau facilitou a influência soviética sobre as novas nações, em 1975.
A América Latina continuava sob a influência dos Estados Unidos, apesar do duro golpe que os americanos receberam com a instauração do socialismo em Cuba, em 1960. Por estar situada a poucos quilômetros da Flórida, a ilha de Fidel tivera, durante muito tempo, sua economia controlada pêlos norte-americanos.
Outro "susto" para os americanos, na América Central, foi a Revolução Sandinista na Nicarágua, que tentou instalar um governo socialista nesse país, em 1979.
Nas décadas de 1960 e 1970, a CIA ajudou a instalar ditaduras multares em países da América do Sul, mantendo-os "livres" da influência da União Soviética. Foi o caso do Brasil, da Argentina e do Chile.
O.Muro de Berlim representou o símbolo visível do mundo da guerra fria, dividido entre socialistas e capitalistas.

O fim da guerra fria

O mundo bipolar começou a ruir com a queda do Muro de Berlim, em 1989, e desmoronou totalmente com o fim da União Soviética em 1991. Com o desmantelamento dos velhos rivais, os Estados Unidos não tinham mais a quem combater. Estava desmontada uma ordem mundial que havia durado quase cinquenta anos.
O mundo atual é uma consequência desse período: hoje os Estados Unidos assumiram o papel de única superpotência, os conflitos étnicos e nacionais ressurgiram com força total, e o poder não é mais de quem tem as armas mais poderosas, mas de quem tem a economia mais forte.

EUA X Terrorismo

O século XXI começa com um novo inimigo dos norte-americanos: o terrorismo. Alvo preferido das organizações extremistas islâmicas, os Estados Unidos sofreram o maior ataque da história, quando jatos americanos sequestrados por terroristas explodiram contra dois símbolos do poder ianque: o World Trade Center, em Nova York, e o Pentágono, sede do Departamento de Defesa americano, em Washington, em 11 de setembro de 2001.

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