quarta-feira, 15 de maio de 2013

Oriente Médio - Condições Estratégicas


Oriente Médio: Conflitos e Condições Estratégicas

1. Importante Área Estratégica do Mundo
Como conseqüência da grande riqueza petrolífera e de gás natural, o Oriente Médio transformou-se numa das mais importantes áreas estratégico-militares do planeta.
 2. Problemas Regionais
· problema territorial entre Israel e estados árabes vizinhos, gerando guerras e conflitos constantes;
· refugiados palestinos que foram despojados de suas terras e vivem em vários países da região;
· conflitos entre xiitas (radicais) e sunitas (moderados). No Irã, Iraque e Iêmen predominam os xiitas;
· baixos padrões de vida da população; apesar da elevada renda per capita de alguns países (petróleo), a grande maioria da população vive em condições precárias, existindo, portanto, violentas desigualdades sociais, pois as minorias apresentam rendas elevadíssimas;
· problemas ecológicos provocados pelas sucessivas guerras. Durante a Guerra do Golfo, um gigantesco volume de petróleo foi despejado nas águas do golfo Pérsico, contaminando e destruindo a vida no mar. Os incêndios nos poços de petróleo do Kuweit provocaram grande poluição atmosférica em várias regiões da Terra.
 3. "Barril de Pólvora"
Devido ao grande número de conflitos armados e da importância estratégico-militar da área, o Oriente Médio representa um verdadeiro "barril de pólvora", prestes a explodir.
 4. Guerras
· Guerra dos Seis Dias, em 1967;
· Guerra do Yom Kippur, em 1973 (essas duas guerras foram entre Israel e vizinhos árabes);
· Guerra Irã-Iraque, iniciada em 1979;
· Guerra Civil no Líbano, iniciada em 1975 e que continua até os dias atuais; (cristãos X muçulmanos; com influência de Israel, Síria e Fundamentalistas)
· Guerrilha no Afeganistão, combatendo as tropas soviéticas que invadiram o país, em 27 de dezembro de 1979, controlando-o durante oito anos. Somente em 1989 as tropas soviéticas se retiraram da região. A Guerrilha continua até hoje.
· Guerra do Golfo. Ocorreu como conseqüência da invasão do Kuweit por tropas iraquianas, em agosto de 1990.
Entre janeiro e fevereiro de 1991, as tropas americanas, principalmente, e de outros países (Inglaterra, França, Arábia Saudita, etc.) retomaram o Kuweit, expulsando as forças de Sadam Hussen.
 5. Economia
A principal riqueza regional é o petróleo e o gás natural. Arábia Saudita, Kuweit, Irã, Iraque, Omã, Catar, Barein, Síria e Emirados Árabes Unidos são os países que se destacam na produção e exportação regional de petróleo.
Os grandes produtores e exportadores de petróleo da região são a Arábia Saudita, com cerca de 8 milhões de barris/dia, seguida do Irã ( 3, 2 M), Iraque (3 M), Emirados Árabes Unidos (2, 3 M) e Kwait
(1, 5 M).
A Arábia Saudita é hoje o maior exportador mundial de petróleo e o 2º maior produtor.
Os países exportadores de petróleo organizaram a OPEP, em 1960, para cartelizar os preços do precioso combustível.
Dentro da OPEP (ORG. DOS PAÍSES EXPORTADORES DE PETRÓLEO) formou-se um grupo para defender os interesses dos países árabes produtores de petróleo - a OPAEP (ORG. DOS PAÍSES ÁRABES PRODUTORES DE PETRÓLEO).
Os países da OPEP detêm 2/3 das reservas petrolíferas mundiais e usaram os preços petrolíferos como arma política várias vezes.
Em 1973, provocaram o "choque do petróleo", quadruplicando o preço do barril. Em 1974, como protesto pela guerra do Yom Kippur; em 1979 por represália aos acordos de paz entre Egito e Israel em Camp David; e, em 1980, no início da Guerra Irã-Iraque.
No entanto, os anos 80 marcam o declínio da influência da OPEP nos preços internacionais do petróleo. O arroxo nas contas dos países importadores fez com que surgissem prospecções internas e novos países exportadores surgiram, aumentando a oferta e derrubando os preços petrolíferos.
O resultado é que em 1979 os países da OPEP detinham 63% da oferta de petróleo; em 1985 caiu para 38%, e hoje apenas 25% das exportações totais do produto.
A desunião dos membros das OPEP e OPAEP aumenta a oferta e derruba os preços. Essa foi uma das causas da Guerra do Golfo (Iraque-Kwait) de 1990-91, mas nem essa guerra conseguiu elevar o preço do produto, que chegou a US$ 38 em 1981 e hoje não passa dos US$ 16.
· Países da OPEP = Arábia Saudita, Irã, Iraque, Kwait e Venezuela (1960); sendo admitidos posteriormente: Catar (1961), Indonésia e Líbia (1962), Emirados Árabes Unidos (1967), Argélia (1969), Nigéria (1971) Equador e Gabão (1973).
· Países da OPAEP = Arábia Saudita, Kwait, Líbia, Argélia, Iraque e Emirados Árabes Unidos.
 6. Agropecuária
A agropecuária tradicional representa a base da economia de vários países pobres, como Líbano, Jordânia, Iêmen, Afeganistão e Turquia. Destaca-se o cultivo de trigo, frutas cítricas, algodão, sorgo, gergelim e a pecuária extensiva de ovinos, muares e camelos.
Turquia e Líbano destacam-se com uma maior produção, inclusive de frutas, hortaliças e legumes que abastecem a indústria alimentícia de exportação.
Os outros países, exceto Israel, normalmente importam alimentos.
 Israel: A Questão Árabe-Israelense
O centro das tensões no Oriente Médio tem sido a Questão Judaica, a Questão Árabe-Israelense, a Questão Palestina que, na verdade, são desdobramentos de uma velha disputa étnico-religiosa na região da Palestina entre judeus e árabes.
Os judeus têm as terras do rio Jordão como suas por direito bíblico e apesar da diáspora dos judeus a partir do domínio romano, esse povo nunca perdeu seus vínculos com o que chama de "Terra Prometida", Terra Santa", que são as áreas marginais do Jordão na Palestina.
No início do século XIX, depois de inúmeras e injustas perseguições preconceituosas - organizou-se um movimento internacional de "Volta ao Lar" dos judeus, que no final da 1ª Guerra Mundial tinha apoio, não só de elites econômicas e intelectuais, mas também da poderosa diplomacia britânica. O Reino Unido mostrava-se disposto a ajudar a criar um "Estado judeu"na Palestina assim que a 1ª Guerra acabasse e o Império Turco Otomano, que dominava a região, fosse derrotado.
No entanto, terminada a Guerra em 1918, o Reino Unido recebeu um mandato sobre a região da Palestina, que poderia "colonizar" por 20 anos, como uma indenização por perdas de guerra.
Abandonou-se o apoio britânico à criação do Estado judeu na Palestina, apesar de que judeus do mundo todo migraram para a região nos anos 10, 20 e 30 - tanto que os ingleses proibiram inutilmente a imigração (êxodo), que continuou a acontecer mesmo ilegalmente.
Veio a 2ª Guerra Mundial e a crudelíssima perseguição nazista aos judeus (holocausto), que se tornou pública e notória somente após a derrota nazista em 1945 e a opinião pública mundial tornou-se ciente do genocídio mais brutal e ignominioso da história.
Os judeus iniciam sua luta pela independência após a 2ª guerra, combatendo a presença inglesa na Palestina com grupos terroristas.
Dois se destacam: Hagannah e o Estrela, que pressionam a retirada britânica com atentados.
Os ingleses deveriam retirar-se em 1948 e, enquanto essa data não chegava, combateram o terrorismo judeu com a ajuda dos árabes-palestinos (árabes que habitam a região da palestina).
Em 1947 a ONU propôs a partilha da Palestina, criando três áreas distintas:
· Um Estado para os judeus na Galiléia Oriental, deserto do Negev e na faixa entre Haifa e Telaviv.
· Um Estado para os árabes-palestinos na Cisjordânia e Faixa de Gaza.
· Uma cidade internacional, Jerusalém.
No entanto, os judeus proclamaram independência em 1948, com a retirada dos ingleses, não cumprindo a partilha da ONU.
Entre 1948-49 enfrentaram seus vizinhos árabes (Egito, Síria, Transjordânia, Líbano e Iraque) numa Guerra de Independência que garantiu a existência do Estado de Israel, mas impossibilitou a existência do Estado árabe-palestino.
Após a vitória de Israel na Guerra de Independência de 1948/49, houve um acordo de paz em que o Estado de Israel e a Transjordânia (depois Jordânia) partilharam as terras destinadas aos árabes-palestinos.
Em 1958 organizou-se, com ajuda dos países árabes, a "Al Fatah", uma guerrilha dos árabes-palestinos na luta pela independência das terras da Cisjordânia e Gaza, sob o nome de República Árabe-Palestina.
Israel, nesse período, passa a ser orientado pelos ideais sionistas, ou seja, de reconquista das dimensões bíblicas do Estado judeu.
Em 1964 a Al Fatah palestina fundiu-se a grupos políticos e criou-se a OLP - Organização de Libertação da Palestina - apoiada por todo o mundo árabe, contra Israel.
Em duas guerras árabes-israelenses o Estado de Israel obteve a vitória ganhando posição territorial perante os seus vizinhos inimigos.
Em 1967, na Guerra dos Seis Dias, Israel tomou a Cisjordânia e Jerusalém Oriental da Jordânia e as colinas de golã Síria, além da península do Sinai do Egito.
Em 1973 venceu mais uma vez Egito, Jordânia e Síria, mantendo sua posição territorial e assegurando a colonização da região conquistada.
Por interferência dos EUA, Israel acertou em 1979 a paz em separado com o Egito. Devolveu as terras do Sinai em troca do reconhecimento político do Egito, o que desuniu os países árabes.
Essa paz ficou conhecida como Tratado de Camp David e foi assinada por Menahem Beguin (1º min. de Israel) e Anwar Sadat (pres. do Egito), com aval do pres. Jimmy Carter dos EUA.
Apesar da paz entre Israel e seu maior inimigo, o Egito, ser assegurada, ainda restava a Questão Palestina.
A OLP passou os anos 60, 70 e 80 agindo contra o Estado de Israel, a quem se propunha extinguir - para isso tinha apoio dos árabes anti-Israel, como a Síria e Jordânia, Líbia e outros países.
Os árabes-palestinos passaram a ser expulsos da Cisjordânia e migram para a Jordânia e o Líbano, onde funcionavam as bases da OLP.
Em território israelense promoviam greves e revoltas organizadas - as Intifadas - que foram duramente reprimidas.
Entre 1983 e 1985 Israel ocupou o sul do Líbano e criou lá uma zona de segurança e entre 1986-87 combateu duramente as Intifadas. No entanto, a partir de 1991, os EUA pressionam para um processo de negociação entre Israel e a OLP, mas Israel estava sendo governado pela direita sionista - o partido Likud, que resistiu a qualquer diálogo com a OLP até sua derrota eleitoral em 1992.
Em 1993, um novo governo israelense formado pelo Partido Trabalhista resolve dialogar com a OLP.
O primeiro-ministro Itzak Rabin e o chanceler Shimon Perez negociam com o líder da OLP Yasser Arafat, o Acordo Gaza-Jericó.
Dessa negociação saiu a proposta de criação de uma região autônoma dos árabes-palestinos nas áreas da Cisjordânia e da Faixa de Gaza, com capital em Jericó, governada por uma autoridade palestina democraticamente eleita.
A desocupação israelense ocorreu em 1994-95 quase sem conflitos, apesar de atos extremados de alguns fanáticos de ambos os lados. No entanto, o assassinato do primeiro-ministro Rabin por um sionista e ações extremadas de grupos palestinos fundamentalistas como o Jihad e o Hezbolah levaram a uma vitória do Likud - a direita sionista em Israel, que pode interromper esse frágil processo de acomodação.
Israel: Destaques Econômicos
Israel é o mais desenvolvido e industrializado país do Oriente Médio.
Sua agricultura é estruturada em fazendas coletivas denominadas Kibutz, onde se pratica uma moderna agricultura irrigada de frutas cítricas, abacate, legumes, trigo, batata, tâmaras.
A indústria de armamentos é uma das mais desenvolvidas do mundo, destacando-se ainda as indústrias eletrônica, têxtil, mecânica, de lapidação de diamantes, etc.
Israel tem, no exterior, uma significativa fonte de divisas, recebendo doações internacionais (comunidade judaica) e reparações de guerra da Alemanha Ocidental.

Os Conflitos no Oriente Médio


Geopolítica: os Conflitos no Oriente Médio

 O Oriente Médio consiste hoje no pólo de maior tensão mundial. Essa condição surge desde a Antiguidade, quando vários povos tentaram, e muitos conseguiram, invadir e dominar essa região, pois assim teriam o controle das rotas comerciais entre Ocidente e Oriente. Essas várias e constantes invasões acabaram por gerar uma multiplicidade de raças e culturas na região. Outro fato que colaborou para colocar o Oriente Médio como centro de atenções foi o fato de que lá são encontradas as maiores reservas de petróleo do planeta. Como esse produto é hoje a base do desenvolvimento capitalista (principal produto), quem tiver o domínio dessa região poderá ser chamado de Mister Petróleo. Candidatos para essa posição não faltaram. Também devemos adicionar a esse processo o fato de a região ser predominantemente árida e, portanto, os pontos com uma maior umidade são disputados com muita vontade pelos pretendentes. O subdesenvolvimento e todas as suas conseqüências também fazem parte desse local. Com toda essa gama de fatores, o resultado não poderia ser outro, gerando um "barril de pólvora" prestes a explodir a qualquer momento. A nível didático, vamos dividir todos esses conflitos em três grupos:
1. A Questão Árabe-Israelense
Perseguidos por formar uma Nação sem Estado, o povo judeu promove o retorno à Pátria, procurando retornar ao local de sua origem: a Palestina. Esse processo foi lento e gradual, mas sempre encontrou a reação dos árabes que passaram a ocupar essa região com a diáspora dos judeus. Para evitar conflitos mais violentos, tropas inglesas faziam a vigilância da Palestina. Com a Segunda Grande Guerra, o movimento sionista é acelerado pela perseguição nazista e, por outro lado, a Inglaterra não tem condições de continuar a fazer a vigilância da região. Com o final da guerra, a ONU resolve fazer a partilha da Palestina, tentando separar árabes e judeus e assim evitar maiores conflitos. Os árabes ficaram com uma área de 11 500 km2, divididos em duas faixas: Gaza e Cisjordânia. Os judeus ficaram com 14 000 km2. Israel passou a ter o status de internacional.
 A - Guerra da Independência (48\49)
A Liga Árabe recusa-se a aceitar essa partilha feita pela ONU. Inicia um processo de agressão aos judeus, que negociam na ONU a formação de um Estado como única saída para pôr fim a essas agressões. Israel (primeiro e único Estado judeu) é reconhecido e, no dia seguinte, forças combinadas do Egito, Jordânia, Iraque, Síria, Líbano invadem o recém-criado país. Como já sabia dessa possibilidade de reação por parte dos árabes, Israel se preparou para a defesa e não só expulsou os invasores como também invadiu-os, tomando para si a região das colinas de Golã (Síria) e a península do Sinai (Egito).
B - Guerra de Suez (56)
No Egito, Gamal Abdel Nasser chega ao poder com sua política do Pan-Arabismo (união árabe contra os inimigos comuns). Era inaugurado o período de cooperação entre Cairo e Moscou, o que coloca em questão a dominação dos países dessa região pelas antigas Nações europeias. Nasser nacionaliza a Cia. Universal do Canal de Suez e passa a controlar todo o tráfego do canal, proibindo os navios considerados inimigos de passarem por lá. Israel lança um ataque à cidade de Port Said, na entrada do canal, com suas tropas sendo comandadas pelo general Moshe Dayan. Ao mesmo tempo, forças inglesas e francesas bombardeiam Alexandria e Cairo, as duas maiores cidades do Egito. Moscou reage ao ataque com um discurso contrário à agressão e a ONU ordena o fim dos ataques e manda para a região suas tropas de paz. Apesar da derrota militar, Nasser sai fortalecido, pois passa a ser visto pelos árabes como a única real ameaça aos judeus.
C - Guerra dos 6 dias (67)
Acreditando na possibilidade de derrotar os judeus, Nasser rearma seu exército com equipamentos soviéticos e se prepara para atacar Israel. Antes disso, Nasser faz um acordo com a Síria (RAU - Repúblicas Árabes Unidas) e pressiona a ONU para retirar suas tropas de paz do canal de Suez. O Egito retoma o controle do canal, invadindo mais uma vez a região. No dia 5 de julho, Israel faz um ataque relâmpago e abate as tropas egípcias, que nem tiveram tempo para reagir. Diante da luta, a Síria ataca o norte de Israel e a Jordânia abre fogo contra Jerusalém. Em apenas seis dias o exército judeu controla a situação, mostrando sua superioridade. Os árabes, agora militarmente humilhados, teriam que encontrar outras táticas para reconquistarem suas terras.
D - Guerra do Yom Kippur (73)
Com a morte de Nasser, em 1970, sobe ao poder egípcio Anuar Sadat, que tinha uma outra visão para solucionar o impasse com os israelenses. Buscando uma solução regional, Sadat afasta-se da URSS e aproxima-se de Washington. Mesmo assim o Sinai não é devolvido e Sadat mais uma vez ataca Israel. No dia 6 de outubro, feriado sagrado para os judeus, as tropas egípcias e sírias atacam novamente, e mais uma vez são derrotados pelo exército de Israel, que decide invadir de vez estes dois inimigos, acabando definitivamente com seus soldados. Diante do quadro, os presidentes americano (Nixon) e soviético (Brejnev) se reúnem para propor em conjunto um acordo para o Oriente Médio. Os Acordos de Camp David são assinados em 79 por Sadat (Egito) e Begin (Israel). O Egito recebe de volta suas terras no Sinai, mas passa a ser visto pelo mundo árabe como um traidor da causa, uma vez que se reuniu com os judeus e não irá mais atacá-los. Isso levará Sadat ao assassinato por parte de seu próprio exército durante uma parada militar. Por outro lado, as faixas palestinas árabes permaneciam sob domínio militar de Israel.
 2. A Luta pela Hegemonia Política
O mundo árabe sempre foi muito disputado por pessoas que pretendiam usar a unidade árabe (levante) para se destacar no cenário mundial. O título de Mister Petróleo, que os tornaria o homem mais importante do mundo, sempre levantou a cobiça de alguns. Por outro lado, apoiado na expansão do Islamismo e na unidade lingüística, o Pan-Arabismo surgiu desde a Idade Média. Com a morte de Nasser e sua substituição por Sadat, que tinha uma política menos agressiva e mais próxima do Ocidente, o que desagradava o mundo árabe, o Iraque e a Síria passam a disputar essa liderança. Já o Irã, que não é um país árabe (é persa), propõe uma unidade muçulmana baseada nos fundamentos do Islã. É nesse cenário que se irá disputar a luta pela hegemonia política no Oriente Médio.
A - A "Grande Síria" e o Líbano
Em 1971, Hafez Assad assume o poder na Síria e leva consigo a ideia da "Grande Síria", que implicava na expansão territorial sobre o Líbano (considerado um Estado artificial criado pela colonização francesa). O Líbano é um país dividido entre dois grupos: os cristãos e os muçulmanos. A capital Beirute é dividida em duas partes. Foi feito um acordo, em 1943, que equalizava as forças da época: a Câmara seria formada por 53 cristãos e 46 muçulmanos, a liderança era de um muçulmano xiita e o primeiro-ministro um muçulmano sunita. O presidente seria um cristão maronita. Como a população muçulmana cresceu mais que a cristã, o governo recusava-se a fazer um novo censo com medo de perder a maioria. Isso acaba numa guerra civil entre os dois grupos (1976). Aproveitando-se disso, a Síria invade o Líbano com a desculpa de ajudar os árabes. Israel também aproveita para invadir o Líbano e procura guerrilheiros terroristas que faziam suas bases em território libanês. O resultado foi um país dividido até hoje.
B - Guerra Irã-Iraque
Ocorre entre 1980 e 88, violenta e prolongada, foi o resultado da chegada ao poder, em 79, de Saddam Hussein com o objetivo de liderar o mundo árabe. No mesmo ano, uma Revolução Fundamentalista instaura uma ditadura do clero islâmico com o Aiatolá Khomeini. A inquietação dos vizinhos, somada aos interesses externos de países como União Soviética, China e EUA, iniciou uma guerra que iria durar 8 anos, sem, no entanto, podermos detectar um vencedor (a desculpa para justificar a guerra foi a questão da navegação no Chat-el-arab). A morte do Aiatolá Khomeini em 89 e a mudança dos alvos na expansão de Saddam puseram fim a essa guerra.
C - Guerra do Golfo (1990)
Enquanto Irã e Iraque se indispunham numa guerra sem vencedores, os EUA aproximaram-se do Kwait e da Arábia Saudita, exercendo na prática o poder que estava em disputa. Saddam Hussein passa então a direcionar seu poder de fogo para estes dois aliados americanos no Oriente Médio. Em agosto de 1990 o Iraque invade e anexa o Kwait ao seu território. Preparava-se para atacar a Arábia Saudita quando os EUA questionaram essa invasão promovida por Saddam e a ONU foi radicalmente contra, pedindo a imediata retirada das tropas iraquianas do Kwait. Como não atendeu à ONU, os EUA lideram uma força para repreender Saddam. Nesta guerra foi testado que de mais moderno existe em equipamento militar, não havendo a menor chance para Saddam. Neste conflito morreram cerca de 100 mil pessoas, a grande maioria civis iraquianos de Bagdá. Saddam foi obrigado a aceitar o cessar-fogo incondicional para não ser massacrado. Com isso o Kwait foi libertado e traçou-se uma linha de defesa ao redor deste país onde Saddam não pode mais circular com suas tropas em hipótese nenhuma.
 3. A Questão Palestina
Para evitar o confronto entre árabes e judeus na Palestina, a Liga das Nações deu à Inglaterra o encargo de patrulhar com suas tropas esse território, tarefa que foi cumprida até o término da II Guerra, quando, arrasada pelos ataques de Hitler, a Inglaterra não possuía condições de continuar essa tarefa. Essa impossibilidade inglesa coincidiu com o retorno maciço dos judeus para a Palestina, causado principalmente pelo "holocausto". Diante desse quadro, a ONU promove a partilha da Palestina. A criação do Estado judeu de Israel gerou vários conflitos, como já vimos, mas sempre derrotados pelo superior poder de fogo israelense, os árabes palestinos partem para a criação de um Estado próprio. Essa proposta é negada pela ONU, que teme novas guerras caso ela aconteça. Diante dessa negativa, é criada na Conferência de Cúpula Árabe de Alexandria, em 1964, a OLP (Organização para Libertação da Palestina), que une grupos de várias tendências ideológicas, mas que têm em comum a intenção de criar a Palestina. Num primeiro momento, os grupos mais radicais contam com grande simpatia da população e passam a fazer uso do terrorismo para intimidar Israel e seus aliados. Como a resposta israelense era sempre muito dura, esses grupos (como a Al Fatah) foram perdendo apoio e foram substituídos por correntes moderadas dentro da OLP. Começa a conversação entre árabes e judeus no sentido de se buscar a paz para a região. Muito difícil, houve a grande participação dos EUA nesse processo de negociação que começava a dar seus primeiros frutos quando Saddam Hussein, durante a Guerra do Golfo (1990), ataca Israel com seus mísseis Scud, tentando colocar esse país na guerrra para usar do antisemitismo árabe e tenta unir a Liga Árabe ao seu redor, reaquece as lideranças extremistas da OLP, que voltam a praticar o terrorismo como forma de pressionar Israel. Mas o medo de Saddam atingir seus objetivos acabou por isolá-lo. O resultado é a busca de uma paz negociada para a região, o que começa a acontecer em 1992, com uma Conferência de Paz em Madrid. Os grandes rivais dessa paz negociada são os grupos extremistas que, dos dois lados, colocam essa negociação como uma traição às suas causas e assim buscam uma radicalização que traz a guerra e afasta a paz. No final de 93, Rabin vence as eleições em Israel e promove uma nova negociação pela paz com Arafat. Um acordo assinado em 13/10/93 (Gaza-Jericó) reconhece o inimigo como legítimo e retira a ocupação israelense em Gaza. A radicalização por parte dos árabes e o assassinato de Rabin, por extremistas judeus, reacende o fogo da rivalidade e a Palestina retorna hoje a mais um momento de instabilidade.

As Minorias Nacionais


Geopolítica: as Minorias Nacionais

Para entendermos esta série de conflitos que se espalham por quase todo o planeta, é necessário que se faça a diferenciação entre Estado e Nação. Os Estado moderno é uma concepção política, que necessita de um espaço físico (território) e por isso tem necessariamente fronteiras. Para se organizar a vida e o poder dentro dessas fronteiras, tem-se um sistema de poder político (governo, constituição, leis, etc...). É o que chamamos normalmente de País. A Nação não necessita de um espaço nem de uma organização política. É formada por um grupo de pessoas que possuem um passado histórico comum. As pessoas unem-se pela semelhança cultural, social e religiosa. A tradição tem um peso grande para as Nações. A questão é que o processo de formação dos Estados contemporâneos se estende desde o final do feudalismo até a II Grande Guerra, às vezes gerados pela cristalização política de burguesias, às vezes por crises políticas e revoluções. Isso faz com que algumas coletividades nacionais sejam separadas por fronteiras criadas pelos Estados ou sejam unidas dentro de um mesmo Estado, passando a gerar conflitos separatistas no sentido de se aumentar a autonomia dessas minorias nacionais ou até de se tornarem independentes dos sistemas majoritários que os agregam. A seguir, a nível de esclarecimento, vamos destacar alguns desses conflitos:
1. O Movimento ULSTER
O conflito entre a minoria católica e a maioria protestante na Irlanda tem sua origem na formação histórica do Reuno Unido. Durante o século XII a ilha da Irlanda passa para o controle de Henrique II da Inglaterra. De tradição católica, a população da Irlanda sempre lutou contra os anglicanos ingleses. Em 1649, chega ao poder Oliver Cromwell, que baseia seu governo na expansão do protestantismo por todas as colônias inglesas. Em 1800, o Union Act vincula a Irlanda ao Reino Unido. Os católicos da Irlanda organizam-se e lutam pela independência da ilha e isso gera uma profunda crise política e militar (os católicos criaram o IRA-Exército Republicano Irlandês) pois a tática empregada pelos católicos foi o terrorismo. Em 1918 é declarada a guerra anglo-irlandesa, que termina com o IRELAND ACT, que divide a ilha da Irlanda em duas partes. Em 1937 a parte sul da ilha (95% de católicos) declara sua independência e cria o EIRE (reconhecido pela Inglaterra somente em 1949) com capital em Dublin. Já o Ulster (Irlanda do Norte), que possui população majoritária protestante, continua vinculada à coroa inglesa. A minoria católica da Irlanda do Norte passa também a ser proletarizada e socialmente forma a camada mais pobre do país. Toda a década de 70 é marcada pela violência das ações terroristas do IRA contra o intransigente e violento governo inglês, que chegou a torturar militantes do IRA. Em 1985, o conflito assume uma nova fase. Tentando pacificar a Irlanda, depois de haver mais de 2 000 mortes, a Inglaterra liberaliza a administração do Ulster. O IRA continua sua tentativa de reunificar a ilha da Irlanda e o conflito continua longe de uma solução definitiva.
2. O Movimento BASCO
A origem do povo basco é desconhecida, apenas sabe-se que eles têm mais de 5 000 anos e que lutaram contra os romanos pela sua independência. A língua basca (Euskera) não tem ligação nenhuma com o latim. Existem hoje 500 000 bascos habitando quatro províncias espanholas (Viscaya, Guipúscula, Alava e Navarra) e três francesas (Labourd, Soule e Baixa Navarra). Durante a Guerra Civil Espanhola (36/39), quando Franco assume o poder, os bascos foram os primeiros a sofrer com o conflito, sofrendo o célebre bombardeio de Guernica, quando Hitler devastou a região. Como a ditadura de Franco foi extremamente centralizadora, os movimentos separatistas bascos, o uso da língua e o uso das bandeiras (verde, branco e vermelho) foram terminantemente proibidos, reprimidos e violentamente punidos. Em 1959 surgia a ETA (Euskadi Ta Askatasuna - Pátria Basca e Liberdade em Euskera), que no início difundia a cultura basca mas que passa a promover a luta armada, principalmente contra a ditadura franquista. Com a morte de Franco, em 1975, o rei Juan Carlos de Bourbon chega ao poder e dá início ao processo democratizante na Espanha. A partir daí os bascos passam a ter uma atuação mais política, embora um braço do ETA continue a fazer o terrorismo, unindo-se com a OLP, o IRA e a Líbia, tornando-se uma das mais perigosas organizações terroristas européias. Essa ação cria uma profunda divisão no movimento basco, que, aos poucos, foi ampliando a autonomia dos territórios bascos e pondo fim às ações terroristas do ETA.
O subcontinente indiano diferencia-se de todo o resto da Ásia, tanto do ponto de vista físico quanto social, pois sofre grande influência do hinduísmo (um complexo religioso que abriga cerca de 240 000 deuses e 1 600 dialetos. Uma grande migração interna repartiu o mundo indiano em 6 países. Paquistão e Bangladesh são muçulmanos. Sri Lanka (antigo Ceilão) é budista. Nepal e Butão são hamaístas e a Índia é hindu. Apesar de toda essa divisão, a Índia continua contando com minorias nacionais que lutam pela independência, como os sikhs, que lutam pela formação de um Estado ao norte do país, e os tâmeis, que querem dividir a ilha de Sri-Lanka. Temos ainda a questão da Iugoslávia, na Europa Centro-Oriental, que hoje é formada por várias nações como a Macedônia, a Croácia, a Bósnia, Montenegro, Volvodina e Kosovo. A Valônia é uma região ao sul da Bélgica, onde se fala o francês e onde surge um movimento separatista que busca a autonomia. Os lapões também se espalham pelo norte da Europa, espalhados pela Noruega, Suécia e Finlândia. Na África, a descolonização proposta pelo tratado de Berlim acabou unindo tribos rivais dentro do mesmo Estado e dividindo uma mesma tribo em dois ou mais Estados Nacionais. O resultado foi uma série de movimentos separatistas e guerras tribais por unificação. O exemplo dessa situação é a região de Ruanda, onde a maioria hutu tenta acabar com a minoria tutsi, ou ainda, a Guerra de Biafra, onde os iorubás lutam com os ibós pela hegemonia política do país. Temos ainda o caso dos curdos, que lutam pela formação do Curdistão em terras hoje pertencentes ao Iraque. Vários outros grupos nacionais lutam hoje pela formação dos seus respectivos Estados Nacionais.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

EUA querem barrar Irã e China na América Latina

Os EUA querem melhorar as relações tom vários países da América Latina pa¬ra tentar barrar a crescente influência do Irã, da China e da Rússia na região, disse ontem a secretária de Estado Híllary Clínton.
Em reunião com a cúpula diplomática americana, Hillary chamou de "muito perturbadoras" as relações que os três países, um inimigo e dois potenciais rivais dos EUA, mantêm com Venezuela, Nicarágua, Bolívia e Equador. (...)
Segundo ela, a culpa pelo aumento da atuação de Teerã, Pequim e Moscou na América Latina é de George W. Bush (2001-2008).
Hillary afirmou que a política de Bush foi contra produtiva e permitiu que os líderes de esquerda - corno o venezuelano Hugo Chávez, o boliviano Evo Morales e o nicaraguense Daniel Ortega- promovessem o sentimento anti-EUA e abrissem as portas para Irã, China e Rússia. (...)
Nos últimos anos, os três países vêm aumentando investimentos na América Latina, onde buscam reforçar sua presença com a abertura de novas embaixadas na região - o Irã está construindo uma mega-representação na Nicarágua.
Hillary insistiu em que a tática de Bush de isolar alguns governos latino-ame¬ricanos e transformá-los em "inimigos internacionais" não funcionou.(...)
Desde que assumiu o poder, em ja¬neiro, o governo de Barack Obama vem revertendo a retórica hostil de Bush em relação a vários países, incluindo a América Latina.
Folha de S.Paulo, 2/5/2009
Fonte Atualidade vestibular – editora Abril

A América Latina na esquerda

A eleição de Barack Obama inaugurou uma nova fase nas relações entre os EUA e os países da América Lati¬na. A"Doutrina 0bama" prevê a abertura de diálogo com governos antiamericanos de todo o mundo, inclusive da América Latina, já na parte comercial, deve haver pouca mudança. Medidas de proteção à indústria f oram reforçadas nos EUA em conseqüência da crise mundial, o que desagradou aos parceiros comerciais norte-americanos, como o Brasil.
CUBA - Grande desafeto norte-ameri¬cano, Cuba já teve algumas restrições comerciais e políticas aliviadas pela nova gestão norte-americana. Sobre o embargo comercial contra a ilha, no entanto, Obama ainda não dá sinais de que vá suspendê-lo. A exclusão da ilha da OEA também foi anulada, revertendo decisão de 1962.
VENEZUELA - Um dos mais radicais gover¬nantes de esquerda da América Latina, o presidente venezuelano Hugo Chávez aliviou a retórica antiamericana após a eleição de Obama. Ao mesmo tempo em que mantém uma estreita relação com Cuba, a Venezuela exporta a maior parte de seu petróleo aos EUA.
PRESIDENTES DE ESQUERDA - Várias nações latino-americanas elegeram go¬vernantes de esquerda nos últimos anos, fenômeno conhecido por "onda verme¬lha". Além de Hugo Chávez - defensor do "socialismo do século XXI"-, a região tem Evo Morales (Bolívia), Rafael Corrêa (Equador) e Daniel Ortega (Nicarágua). Há também os líderes próximos dos EUA, como Álvaro Uribe (Colômbia) e Felipe Calderón (México), e os moderados, como Lula e Michelle Bachelet (Chile).
GOLPEEM HONDURAS - O governo de Ma¬nuel Zelaya foi derrubado por um golpe militar, em junho. Houve protestos e a condenação da comunidade internacio¬nal. Chávez chegou a acusar os EUA de envolvimento na ação. Mas Obama con¬denou o golpe, ameaçando cortar a ajuda financeira que envia a Honduras.
Fonte Atualidade vestibular – editora Abril

domingo, 4 de abril de 2010

Guerra Fria

Para as gerações que nasceram nas décadas de 1980 e 1990 fica difícil ima¬ginar um mundo dividido entre dois sistemas econômicos, opostos e inimigos. Mas agora que você já estudou as carac¬terísticas do capitalismo e do socialismo, pode perceber que a convivência desses dois modos de produção era praticamente impossível. Por isso, tive¬mos um período de quase cinquenta anos, longo o suficiente para que o mun¬do vivesse um dos mais tensos e compli¬cados conflitos que já aconteceram na história da humanidade. Uma guerra em que jamais houve um confronto direto entre os dois principais inimigos.

O mundo pós-guerra

A Grande Guerra de 1939-1945 mudou o des¬tino e a geopolítica do mundo onde vivemos, estabe¬lecendo uma nova ordem mundial: os impérios colo¬niais desmoronaram e em seu lugar surgiram duas novas superpotências - Estados Unidos e União So¬viética. Com isso o mundo foi reordenado tanto do ponto de vista econômico como político.
Após a guerra, um novo capitalísmo
Com as principais potências arrasadas pela Segunda Guerra, foi preciso reorganizar a economia mundial. Com esse objetivo, os aliados, vencedores do conflito, reuniram-se na cidade de Bretton Woods, situada na costa leste dos Estados Unidos. Várias decisões foram tomadas nessa conferência, entre elas a criação de organismos financeiros com a finalidade de conceder empréstimos a países em dificuldade e manter a estabilidade da economia mundial. Desse modo, foram fundados o FMI (Fun¬do Monetário Internacional) e o Bird (Banco Internacional de Reconstrução e Desenvolvimento ou Banco Mundial}, ambos com sede em Washington. A adoção do padrão dólar-ouro, garantido pelo governo norte-americano, tornou a moeda dos Estados Unidos a mais importante da economia mundial. O mundo capitalista tinha uma nova po¬tência, os Estados Unidos da América do Norte, ao mesmo tempo que ganhava um rival de peso: a po¬tência socialista, União das Repúblicas Socialistas Soviéticas.

Com a ONU, o mundo se une

Além da reestruturação econômica, era preciso fazer também uma reordenação política do mundo.
Assim, na Conferência de São Francisco, realizada em 26 de junho de 1945, foi criada a ONU (Organi¬zação das Nações Unidas), com o objetivo de preser¬var a paz e a segurança no mundo e promover a coope¬ração internacional para a resolução de problemas econômicos, sociais, culturais e humanitários.
Cinquenta países aprovaram a Carta de Prin¬cípios, constituída de 111 artigos que orientariam a entidade no novo mundo que surgia. O número de membros da ONU cresceu muito desde a sua fun¬dação. Ao completar cinquenta anos, a ONU contava com 185 membros. Em 1999, recebeu mais três paí¬ses: Tonga, Kiribatí e Nauru; e, em 2000, a ilha de Tuvalu. Hoje são 189 os países participantes.
O órgão mais importante dessa associação é o Conselho de Segurança. Formado por representantes de cinco países (Estados Unidos, Inglaterra, França, China e Rússia), mem¬bros permanentes com o poder exclusivo de veto às decisões da organização, e de dez países eleitos a ca¬da dois anos. Qualquer decisão do Conselho de Segurança só é válida se houver consenso entre os cinco membros perma¬nentes.
A função do Conse¬lho de Segurança é man¬ter a paz e a segurança no mundo. Por isso, tem o poder de •investigar qualquer ameaça de conflito, de sugerir soluções para acordos de paz e adotar sanções, como o corte de relações diplomáticas e embargos econômicos.
A Assembléia Geral é o órgão central que dis¬cute os problemas de in¬teresse da ONU. E com¬posta de delegações de todos os países membros. Entretanto, esse órgão não decide sobre questões de segurança e cooperação internacional. A Secretaria Geral, a Corte Internacional de Justiça e o Conselho Econômico e Social são os outros órgãos integrantes da ONU. A organização possui ainda agências espe¬cializadas que se ocupam de problemas específicos, como saúde, educação, trabalho e outros.

Um mundo bipolar

Pela primeira vez, o mundo ficou dividido en¬tre dois sistemas opostos. Os dois lados lutavam para impor seu modo de produção: era o capitalismo norte-americano (Oeste) versus o socialismo soviéti¬co (Leste).
No mundo bipolar, o padrão de "poder" não era a supremacia econômica, mas a supremacia bélica, na fabricação de armas. Daí falarmos em corrida armamentista e corrida espacial.
As potências disputavam passo a passo quem conseguiria produzir a bomba mais potente ou ir mais longe na exploração do espaço. Para não ficar para trás, era preciso saber todos os segredos e todos os passos do inimigo. Nessa missão ficaram famosas a CIA e a KGB.

A corrida armamentista

Foi o componente central do período da guerra fria, que envolveu diretamente os Estados Unidos e a União Soviética na corrida atômica e na conquista espacial. O que estava implícito era que a nação que primeiro desenvolvesse a tecnologia nuclear e conquistasse o espaço seria considerada a mais avançada cientificamente.
Os Estados Unidos iniciaram a corrida nuclear de forma dramática, ao jogar bombas atômicas sobre as cidades japonesas de Hiroshima (6 de agosto de 1945) e Nagasaki (9 de agosto de 1945), para forçar a rendição do Japão no final da Segunda Guerra. Só em 1949, a União Soviética anunciou que tinha conseguido fabricar a sua primeira bomba atômica.

A corrida espacial

Os soviéticos saíram na frente com o lançamento do Sputnik I, o primeiro satélite artificial a ser colocado em órbita, em 4 de outubro de 1957. Em 3 de novembro do mesmo ano, lançaram o Sputnik 2, com a cachorra Laika, o primeiro ser vivo a ser lançado no espaço. Em 12 de abril de 1961, foi a vez de o astronauta Yuri Gagárin comandar a nave Vostok.
Michael Collins, um dos astronautas da Apollo 11, observa a bandeira americana no primeiro pouso do homem na Lua, em 1969.
Entretanto, a vitória final foi dos Estados Unidos. O dia 20 de julho de 1969 marcou a chegada do homem à Lua. Os norte-americanos Neil Armstrong, Edwin Aldrin Jr. e Michael Collins, a bordo da Apoio 11, foram os primeiros a conquistar tal feito e a colocar os Estados Unidos na dianteira da corrida espacial.
Em 1971, os soviéticos lançaram o Projeto Salyut, que previa a construção de uma estação espacial. Em 1 973, os Estados Unidos lançaram o Sky lab, estação experimental que acabou se desintegrando em contato com a atmosfera, quando a Nasa perdeu o controle de sua órbita. Nada, porém, foi mais brilhante do que a Iniciativa de Defesa Estratégica do presidente americano Ronald Reagan (1980-1988), que ficou conhecida como "Guerra nas Estrelas". Sua idéia era construir um grande escudo espacial para a defesa contra mísseis vindos de qualquer lugar da Terra e, até mesmo, do espaço.
A última realização dos soviéticos foi colocar em órbita, em 1985, a estação espacial MIR, que retornou à Terra em março de 2001. Os Estados Unidos continuaram seu programa espacial, mesmo sem a competição da potência socialista. Após a explosão do ônibus espacial Challenger (1986), os americanos colocaram o telescópio Hubble em órbita, em 1990. Em 1997,a sonda Mars Path fÍnder pousou na superfície de Marte.

Por multo pouco, uma guerra nuclear

Durante esse período de grande tensão, podemos dizer que, pelo menos em duas ocasiões, o mundo esteve à beira de um conflito nuclear: em 1961, com a construção do Muro de Berlim; e em 1962, quando os soviéticos decidiram instalar mísseis no extremo sul de Cuba, a 150 km da Flórida.

O Terceiro Mundo — principal alvo das disputas

Com o fim dos impérios coloniais, novos países surgiram no panorama mundial e foram alvo da disputa entre as duas potências. O novo conjunto foi chamado de Terceiro Mundo, uma vez que os países capitalistas desenvolvidos compunham o Primeiro Mundo e os socialistas faziam parte do Segundo Mundo.
Todos os continentes foram atingidos pela disputa de poder entre capitalistas e socialistas. Moscou apoiava os movimentos de independência nas colônias da África. Para impedir a expansão soviética no continente, os Estados Unidos obrigaram seus aliados a conceder a independência a essas colônias. Entretanto, os novos países continuaram dependentes economicamente das metrópoles.
A demora de Portugal em conceder a independência a Angola, Moçambique, Cabo Verde e Guiné-Bissau facilitou a influência soviética sobre as novas nações, em 1975.
A América Latina continuava sob a influência dos Estados Unidos, apesar do duro golpe que os americanos receberam com a instauração do socialismo em Cuba, em 1960. Por estar situada a poucos quilômetros da Flórida, a ilha de Fidel tivera, durante muito tempo, sua economia controlada pêlos norte-americanos.
Outro "susto" para os americanos, na América Central, foi a Revolução Sandinista na Nicarágua, que tentou instalar um governo socialista nesse país, em 1979.
Nas décadas de 1960 e 1970, a CIA ajudou a instalar ditaduras multares em países da América do Sul, mantendo-os "livres" da influência da União Soviética. Foi o caso do Brasil, da Argentina e do Chile.
O.Muro de Berlim representou o símbolo visível do mundo da guerra fria, dividido entre socialistas e capitalistas.

O fim da guerra fria

O mundo bipolar começou a ruir com a queda do Muro de Berlim, em 1989, e desmoronou totalmente com o fim da União Soviética em 1991. Com o desmantelamento dos velhos rivais, os Estados Unidos não tinham mais a quem combater. Estava desmontada uma ordem mundial que havia durado quase cinquenta anos.
O mundo atual é uma consequência desse período: hoje os Estados Unidos assumiram o papel de única superpotência, os conflitos étnicos e nacionais ressurgiram com força total, e o poder não é mais de quem tem as armas mais poderosas, mas de quem tem a economia mais forte.

EUA X Terrorismo

O século XXI começa com um novo inimigo dos norte-americanos: o terrorismo. Alvo preferido das organizações extremistas islâmicas, os Estados Unidos sofreram o maior ataque da história, quando jatos americanos sequestrados por terroristas explodiram contra dois símbolos do poder ianque: o World Trade Center, em Nova York, e o Pentágono, sede do Departamento de Defesa americano, em Washington, em 11 de setembro de 2001.

O Mundo Pós Guerra Fria

No dia 9 de novembro de 1989 mudou o panorama político do século XX. Nessa data foi destruído o símbolo concreto da divisão do mundo em dois sistemas (capitalismo e socialismo), que caracterizou o período da guerra fria.
A década de 1990 começou sem o mundo socialista, e o modo de produção capitalista voltou a ser o único a reger a economia mundial. Antes de analisar o capitalismo dos últimos anos do século XX, é muito importante dar uma atenção especial às mudanças ocorridas durante a guerra fria nos países que adotavam esse sistema.

O capitalismo na guerra fria

Durante a guerra fria, apesar da ameaça de expansão do socialismo, o capitalismo se manteve em sua terceira fase - o capitalismo financeiro - nos países que adotavam esse sistema econômico. Porém muita coisa mudou no lado capitalista. Veja quais foram as principais modificações:
• Os Estados Unidos assumiram a liderança do bloco ocidental, em Bretton Woods, quando o Banco Mundial e o FMI iniciaram sua fase de dominação sobre os países subdesenvolvidos, e o dólar tornou-se a moeda forte da economia capitalista.
• Novos países surgiram com a descolonização da Ásia e da África.
• As transnacionais se espalharam pelo mundo em busca de mão-de-obra e matéria-prima baratas e de mercado consumidor. Alguns países subdesenvolvidos se industrializaram, na dependência dos países ricos.
• Na Europa ocidental, a Comunidade Econômica Européia preparou o caminho para sua integração total, que ocorreu nos anos 1990, com a criação da União Européia .

A década de 1980 assistiu ao início das transformações que culminariam com o fim do mundo socialista e a antiga rivalidade dos tempos da guerra fria, no início dos anos 1990.

Nova ontem mundial — a mundo multipolar

Com o fim da bipolaridade, os Estados Unidos viram-se transformados na potência "vencedora" da guerra fria e assumiram o papel da grande potência mundial. Entretanto, apesar do indiscutível poderio americano, Japão e Alemanha (hoje reunificada e integrando a União Européia) também apareciam como pólos da economia mundial, que se tornou, então, multipolar.
Essa nova situação, que o presidente norte-americano George Bush chamou de nova ordem mundial na Conferência de Malta, em 1989, na verdade não trouxe muita coisa de novo. O que deixava de existir era a velha ordem bipolar e a rivalidade entre sistemas econômicos opostos que buscavam competir usando a capacidade militar.
Com a volta do mundo (com raras exceções) ao capitalismo, que prioriza o lucro e a propriedade privada, a economia mundial passou a funcionar segundo a lógica desse sistema.
A multipolaridade, isto é, o aparecimento de novos pólos econômicos, nada mudou na distribuição da riqueza no mundo. Os países ricos continuam ricos. E os pobres (ex-Terceiro Mundo) continuam pobres. Sem inimigo a ser vencido, a corrida armamentista perdeu força. A busca de novas estratégias para ganhar mercados passou a ter prioridade na ordenação econômica do mundo.
Porém devemos admitir que mudanças fundamentais ocorreram nessa fase do capitalismo financeiro, que passou a ser chamada de.globalização. Na globalização, há um crescente aumento dos fluxos de informações, mercadorias, capital, serviços e de pessoas, em escala global. São as redes, que podem ser materiais (transportes) ou virtuais (Internet). A integração de economias, culturas, línguas, produção e consumo, através das informações, transformaram o mundo em uma aldeia global.

A economia-mundo

A economia-mundo começou a dar seus primeiros passos quando as empresas transnacionais cruzaram as fronteiras dos Estados Nacionais, deslocando seu capital para atender a seus interesses econômicos, sempre que um lugar apresentasse maiores vantagens. Essas empresas têm filiais espalhadas pelo mundo todo, fazem aplicações, movimentam recursos, decidem sobre a produção e o comércio de seus produtos, independentemente dos governos nacionais dos países onde se instalam.
A facilidade e a rapidez de fluxos comerciais de capitais, entre os países, tornou-os extremamente dependentes uns dos outros, apesar da concorrência. Com a globalização e a economia-mundo, não se discutem apenas problemas econômicos na aldeia global.
Podemos falar, também, na mundialização de questões que devem ser resolvidas por grupos de países. Dentre elas destacam-se as questões ambientais, o aumento da pobreza, as crises econômicas, os direitos humanos, o tráfico de drogas e as ações terroristas.

Conflito Norte-Sul

O fim do mundo socialista não só derrubou a ordem bipolar, como fez com que a antiga divisão dos países em Primeiro, Segundo e Terceiro Mundo não tivesse mais razão de ser. Como o Segundo Mundo, que era formado pelas nações socialistas, não existe mais, os países são classificados em ricos e pobres, ou desenvolvidos e subdesenvolvidos. E o mundo ficou dividido em países do Norte (desenvolvidos) e países do Sul (subdesenvolvidos).
O grande contingente de colônias asiáticas, africanas e americanas (com exceção dos Estados Unidos e do Canadá), forma o bloco dos países do Sul. Apesar de terem características comuns, esses países apresentam profundas diferenças entre si.
Alguns países se destacam na oferta de oportunidades para os investimentos das empresas transnacionais. São países subdesenvolvidos industrializados ou em fase de industrialização. Apesar das vantagens oferecidas, como mercado consumidor e incentivos fiscais, esses países representam grandes riscos, em virtude da constante instabilidade econômica ou política. São os chamados países emergentes, e o Brasil está entre eles.
Os antigos países socialistas são chamados hoje de países de economia "em transição" porque passam por uma fase de adaptação à economia de mercado. Apenas Cuba, Coréia do Norte e Vietnã ainda resistem como socialistas.
A África Sub-saariana está à margem da economia global. Seus países sofrem com conflitos tribais, fome, seca e a aids. Além disso, encontram-se na total dependência do FMI e do Banco Mundial. Diante desse estado de miséria, a África não desperta interesse, nem como consumidora nem como opção de investimento de capital especulativo.

PAÍSES EMERGENTES

Na nova ordem mundial, o conflito Leste-Oeste da guerra fria foi substituído pelo conflito Norte-Sul, que opõe entre si as grandes diferenças que separam a riqueza, a tecnologia e o alto nível de vida, da pobreza, da exclusão dos novos meios técnico-científicos e dos baixos níveis de vida.

A globalização

O fator fundamental para que a economia globalizada pudesse existir é a grande novidade da nova ordem mundial - a revolução dos meios de transporte e das comunicações. Hoje, fatos de qualquer natureza são transmitidos no tempo real para o mundo inteiro. Podemos assistir e acompanhar acontecimentos de qualquer parte da Terra no exato momento em que estão ocorrendo, seja uma corrida de Fórmula l, um jogo da Copa do Mundo e inclusive cenas de guerra no Oriente Médio ou na Yugoslávia. É possível comprar produtos fabricados em vários países em luxuosos shopping centers, na lojinha do bairro ou mesmo na barraquinha do ambulante da esquina.

A revolução técnico-científica

O setor mais importante dessa "revolução" é a indústria da informática, com o surgimento dos programas de computadores (softwares) e o avanço na técnica de armazenamento e processamento de informações através de redes digitais e cabos de fibras ópticas. A informática invadiu bancos, bolsas de valores, repartições públicas, hospitais, escolas, fábricas, lojas, supermercados e até mesmo a sua casa.
Nas telecomunicações, destacam-se os satélites artificiais e os telefones celulares de alcance mundial. Existe uma integração entre a informática e as telecomunicações: a telemática (Internet).
Outros campos também apresentam novidades, como o da biotecnologia, que é aplicada à medicina, à agricultura e à produção de alimentos. As palavras genoma (código genético) e transgênicos (geneticamente modificados) já foram incorporadas ao vocabulário da mídia e das pessoas em geral.

As empresas globais

Após a Segunda Guerra, as grandes empresas dos países desenvolvidos "invadiram" os países subdesenvolvidos, para fabricar seus produtos e aumentar ainda mais seus mercados de consumo.
Desse modo, não só fugiam dos pesados impostos e das severas leis trabalhistas de seus países de origem, mas também aproveitavam as vantagens da mão-de-obra mais barata nas novas unidades. Como seus produtos eram feitos em vários países, ficaram conhecidas como multinacionais. Hoje prefere-se denominá-las empresas transnacionais, uma vez que não são empresas de vários países, como a antiga terminologia poderia sugerir, mas empresas de um só país cuja ação ultrapassa fronteiras.
Nos anos 1980, as grandes empresas transnacionais perceberam que o modo de produção multinacional já não correspondia ao seu objetivo básico, isto é, mais lucro e aumento dos investimentos. Portanto, procuraram uma forma de aumentar esses lucros com a maior redução de custos (matéria-prima e mão-de-obra).
A empresa transnacional passou, então, a ser global, isto é, a aproveitar todas as vantagens que o espaço mundial oferece. Ela pode, por exemplo, fazer o seu projeto nos Estados Unidos, fabricar os componentes em Taiwan e montar o produto na Argentina. Uma transnacional se instala sempre em lugares onde encontra vantagens para que seu produto chegue ao mercado a preços mais baixos e com lucro maior para a empresa. Na fábrica global, os processos de produção são mundializados, isto é, possuem unidades de produção complementares em vários países.

Globalização regionalizada

Na economia-mundo, há uma grande ampliação das trocas comerciais internacionais. £ por causa dessa forte interação, alguns países procuram agrupar-se para enfrentar melhor a concorrência no mercado mundial.
A formação de blocos econômicos é uma regionalização dentro do espaço mundial, mas também uma forma de aumentar as relações em escala global, pois, ao participar de um bloco, um país tem acesso a vários mercados consumidores, dentro e fora do seu bloco.
Os principais blocos regionais são: União Européia, Mercosul, Nafta e Apec,.

Desemprego global

O "fantasma" do desemprego sempre rondou os países em épocas de crise econômica. É o chamado desemprego conjuntural, em consequência do mau desempenho da economia local.
A globalização trouxe outros tipos de desemprego, causados pelas modernas formas de administração para diminuir custos (desemprego estrutural) e a substituição do homem pela máquina (desemprego tecnológico).

A globalização de idéias

Esse processo de integração mundial, chamado globalização, não é só económico. Ele tem ao mesmo tempo uma dimensão política, social e cultural.
Para se estabelecer mundialmente, a grande empresa precisa da globalização cultural. O lazer, as formas de se vestir, as revistas, os jornais, as formas de consumo precisam ser parecidas em qualquer lugar do mundo.
O rádio e a televisão têm um papel importante na formação dessa cultura, pois, ao mesmo tempo que divulgam músicas, filmes e informações, sugerem um padrão de vida e de consumo que deve ser seguido para alcançar a felicidade.
Daí a importância de preservar e valorizar as culturas e identidades próprias de cada país, ameaçadas de desaparecer, como as fronteiras do capital e do comércio mundial.

A globalização do crime

As atividades do crime organizado também se beneficiam das facilidades tecnológicas das comunicações do mundo globalizado.
O tráfico de drogas de mulheres e crianças, as "máfias" de várias nacionalidades {chinesa, japonesa, coreana), além da original italiana, encontram mais facilidades para expandir suas ações criminosas. O terrorismo espalha mais rapidamente suas células de ação pelo mundo graças a essas facilidades.

O lado triste da globalização

A parte cruel da atual fase do capitalismo financeiro é a globalização da pobreza. Há uma diferença cada vez maior entre ricos e pobres, sejam pessoas, regiões ou países. Verifica-se um gradual empobrecimento da população, mesmo nos países desenvolvidos.
Podemos dizer que a mesma tecnologia que trouxe conforto e melhoria de vida para as pessoas, reduziu os postos de trabalho. A demanda de mão-de-obra qualificada aumentou e a oferta para trabalhadores sem o preparo necessário diminuiu.
Até nas competições esportivas, os países vencedores refletem as desigualdades econômicas. Você pode verificar que os países que tiveram os melhores desempenhos são ricos e estão concentrados, em sua maioria, na Europa. Os países com os piores desempenhos são nações pobres, em sua maioria, localizadas na África , América, Ásia, Europa do Leste e Oceania.

Protestos contra a globalização

A política neoliberal, as transnacionais e as desigualdades econômicas criadas pela globalização têm sido alvo de protestos em vários países do mundo. Em 2001, o Brasil sediou o Fórum de Porto Alegre, realizado como oposição ao Fórum de Davos, promovido pelo G-7 na Suíça, e à forma de globalização excludente defendida pêlos países que formam esse grupo.
As formas de protesto da oposição envolvem depredações, violência, ataques à propriedade privada, o que certamente não leva a nenhuma conquista efetiva dos opositores. Apesar disso, está claro que uma globalização mais igualitária, com a erradicação da miséria e respeito ao meio ambiente, é o que todos pretendemos ter um dia. Falta encontrar a fórmula certa para isso.